Dedicado a estimular a iniciativa privada a retomar o ritmo de investimentos no mercado de petróleo e gás do país, o governo adotou ontem um discurso alinhado com a agenda do setor, durante a abertura da Rio Oil & Gas, principal evento da indústria petrolífera brasileira, no Rio. Primeiro presidente da República a participar do evento desde 1982, quando João Figueiredo havia comparecido à primeira edição do congresso petrolífero, Michel Temer elogiou o desempenho da Petrobras nos últimos meses e defendeu o diálogo com as empresas. O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, também admitiu mudanças na política de conteúdo local e sinalizou com novas medidas para o mercado até o fim deste ano.
“A Petrobras era o símbolo de algo que estava inteiramente desajustado e hoje passa a ser uma das empresas mais ajustadas do país”, afirmou Temer, pedindo a plateia aplausos a Pedro Parente, presidente da Petrobras e que estava presente à abertura do evento. Temer destacou ainda que, nos últimos meses, as ações da Petrobras tiveram valorização de 137%, elevando seu valor de mercado para R$ 240 bilhões. “A recuperação da Petrobras dará novo ímpeto de investimentos ao setor.”
Admitindo que os dois últimos anos foram “sem sombra de dúvidas, os mais dramáticos da história da Petrobras”, Parente disse que o momento atual é de trabalhar na execução do plano de negócios 20172021, que prevê investimentos US$ 74,1 bilhões e a redução do nível de endividamento da empresa. “É justo reconhecer que temos motivos para ter cautelosa e justificada esperança de recuperação.”
Em discurso, Temer lembrou do “apoio extraordinário” do Congresso para aprovar o projeto de lei que retira a exclusividade da Petrobras na operação do pré-sal, um dos pleitos do setor, e pontuou novamente que o objetivo é de dialogar com o setor para retomar investimentos e, com isso, a gestão de empregos na indústria petrolífera. “Depois de uma recessão muito aguda, aprendemos que ouvir é tão importante quanto agir”, completou o presidente, que deixou o evento sem falar com a imprensa.
Com relação a novas medidas para o setor, Coelho Filho destacou que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) vai deliberar em reunião, em dezembro, sobre as regras de unitização de áreas petrolíferas. A definição das regras é fundamental para a realização do segundo leilão de áreas do pré-sal, previsto para o próximo ano e que incluirá quatro áreas unitizáveis. A unitização ocorre quando uma jazida petrolífera ultrapassa os limites de determinado bloco e alcança outra área já concedida ou ainda não licitada pela União.
