
O verão chegou e, com as altas temperaturas, os cuidados com a saúde dos animais de estimação precisam ser redobrados, tanto na exposição ao sol, mar e piscina, quanto à alimentação e hidratação de cães e gatos. Além disso, especialistas alertam também sobre os cuidados necessários para evitar doenças comuns nesta época, como fungos, pulgas e bactérias, além de queimaduras na pele e patas.
O médico veterinário dermatologista Marcos Reis explica que o aumento da umidade e calor torna mais frequente a ocorrência de fungos e bactérias em cães e felinos. “Neste período, aumenta muito a incidência de fungos e bactérias. As pessoas levam os animais à praia e não se preocupam em retirar a água salgada, dar um banho adequado e, principalmente, secar bem o animal”, alerta o médico. Segundo Reis, tanto o sal do mar quanto o cloro da piscina podem desencadear reações alérgicas, causando coceira e vermelhidão.
Para quem não dispensa a companhia do pet na hora do lazer, o cuidado deve ser imediato após a diversão. “O ideal é, ao sair da praia ou da piscina, fazer o banho com água doce e garantir uma secagem completa. Se usar secador, que seja na temperatura morna e distante da pele para evitar queimaduras”, orienta. Para quem prefere a secagem natural, o médico faz uma ressalva: o animal deve secar na sombra, pois a exposição direta ao sol pode causar hipertermia.
Assim como os humanos, os pets também precisam utilizar protetor solar adequado durante a exposição ao sol. “Hoje já existe protetor solar específico para pets. Devemos aplicar nas áreas sem pelo, como pontas de orelhas, focinho e abdômen”, explica o veterinário dermatologista. Ele lembra que o uso de produtos humanos é contraindicado devido ao risco de alergias químicas.
Quanto aos passeios no período do verão, a orientação é evitar caminhar no asfalto quente e os horários de maior intensidade das radiações solares. Marcos Reis sugere que as saídas ocorram antes das 10h ou após as 15h para evitar queimaduras nos “coxins” (as almofadinhas das patas). Além disso, o tutor deve se atentar aos sinais: respiração muito ofegante e sinais de desconforto são alertas de que o animal está sofrendo com o calor e deve receber os cuidados necessários.
De acordo com o veterinário, os animais de pelagem clara e raças como Shih-tzu, Pug, Bulldog e Samoieda têm maior predisposição a desenvolver problemas.
“Sintomas como coceira, vermelhidão, descamação são sinais de alerta para doenças de pele, e o tutor deve procurar o veterinário para investigar e tratar o animal”, explica Reis.
Além disso, o veterinário alerta para o aumento da incidência de pulga, tanto em cachorros como em gatos. “Nesse período aumentam os casos de DAPP (Dermatite Alérgica à Picada de Pulga), então esse animal vai se coçar, irritar a pele e causar infecção”, explica o médico. No caso dos gatos, o tratamento é feito com pipetas de antiparasitários tópicos, que tratam e previnem infestações de parasitas. Já os cães, geralmente, são medicados com comprimidos.
Embora os gatos sejam conhecidos por se limparem sozinhos, Marcos Reis desmistifica o medo da água. “Gatos podem e devem tomar banhos mais frequentemente no verão para refrescar”, afirma. “Claro, depende muito de como esse gato foi criado. Se ele nunca tomou banho antes, ele vai ter mais dificuldade em tomar banho na fase adulta. Então, o segredo é o costume desde pequeno”, completa.
Além disso, para auxiliar no controle do calor, Reis sugere que tutores de felinos aumentem as vasilhas de água pela casa, podendo utilizar gelo e até picolés de frutas não cítricas para refrescar os gatos.
Alimentação e hidratação
A médica veterinária Gabriela Cordeiro explica que algumas raças são mais afetadas pelo calor excessivo. “A vontade de comer (apetite) pode ficar comprometida devido ao incômodo com o calor, especialmente em raças de pelos longos, como Labradores e Chow-Chow”, explica.
Isso não significa que cães de pelo curto não sofram com o calor, principalmente os chamados braquicefálicos, que são os cachorros com focinho curto, como Buldogue Inglês, Lhasa Apso e Boxer. “Eles também sofrem muito com o calor e requerem cuidados especiais com respiração e temperatura”, esclarece Cordeiro.
De acordo com ela, frutas como melão, melancia, maçã e pera são seguras e recomendadas para oferecer como petisco refrescante, inclusive em formato de picolé natural de fruta.
No caso dos gatos, de modo geral, eles precisam de mais estímulos para a hidratação. “Fontes de água, bebedouros em que a água fique circulante, são mais interessantes para os felinos”, afirma a médica.
Em relação à alimentação dos pets (ração seca ou úmida), é importante se atentar também ao armazenamento, pois durante o calor a ração pode estragar mais rápido. “O ideal é ofertar a comida em horários fixos, aguardar o pet comer e retirar o pote. Se sobrar, armazenar e ofertar o restante na próxima refeição”, sugere Cordeiro.
Fonte: Tribuna do Norte