RELACIONAMENTOS RESPONSIVOS –

Anos atrás, assisti uma aula sobre Liderança Positiva, na qual o professor comentou sobre Liderança Responsiva, nos perguntando se um líder deve se comunicar/agir de acordo com a maturidade de cada um de seus liderados.  Parece polêmico, não é? Vou simplificar com o exemplo vivenciado que me veio à memória no momento:

Na época, eu era professora acadêmica, o semestre estava acabando e eu lecionava uma determinada disciplina de terceiro semestre. Eu tinha uma aluna mais nova de 19 anos, que recém havia saído do Ensino Médio, e outra de 32 que estava em sua segunda graduação.

O trabalho de conclusão da disciplina era um artigo. Eu deveria ter os mesmos parâmetros para as duas? Observei seis meses o esforço da jovem de 19 anos e a presença da mulher de 32, com mais maturidade e acostumada com linguagem e escrita acadêmica. Foram dois pesos e duas medidas, sem denotação de injustiça. O melhor da garotinha de 19 anos, mereceu 9,5. Dentro no padrão das normas que ela havia aprendido em aula, juntamente com a disciplina de metodologia do trabalho científico.

Já a mais adulta não alcançou o nível de um artigo que poderia ser mais maduro e com mais arcabouço literário científico. Ganhou um 9,0. Não poderia exigir o mesmo nível de trabalho, tampouco compará-los. Isso é uma forma de Liderança Responsiva.

Foi quando decidi falar sobre relacionamentos responsivos. Nem sei se alguém já havia definido antes, mas tomei a liberdade para tal. Esse seria também em relação à maturidade: não podemos exigir do outro o que ele não teve oportunidade de vivenciar, amadurecer, ler, praticar.

Então, acredito que uma relação responsiva é uma interação entre pessoas, caracterizada pela reciprocidade e pela atenção às necessidades, sentimentos e expectativas mútuas. Onde ambas são atenciosas e reagem de maneira adequada e empática às emoções e ações do outro. É o desenvolvimento saudável de laços afetivos. Em diversos contextos: entre pais e filhos, casais, amigos e, inclusive, em ambientes de trabalho.

A responsividade é crucial para a construção de confiança, segurança emocional e satisfação na relação, pois, na liderança positiva, sussurram os modernos, ela é o antídoto ao autoritarismo cego. Filosoficamente, isso é o estoicismo responsivo: Epicteto nos ensina a focar no que controlamos: nosso esforço, não no que o outro ainda não pode oferecer. Não exigimos do infante a sabedoria do ancião, nem do parceiro ferido a vulnerabilidade plena. É reciprocidade empática: atender necessidades, sentimentos e expectativas mútuas, reagindo com a delicadeza de quem lê o inconsciente alheio.

Talvez o maior equívoco das relações humanas seja confundir igualdade com uniformidade. Tratar todos da mesma forma pode parecer justo, mas ignora histórias, feridas, tempos e possibilidades. A verdadeira justiça afetiva não nasce da rigidez, mas da escuta; não da comparação, mas do reconhecimento. Ser responsivo é compreender que cada pessoa chega com um repertório distinto de mundo e que amar, liderar ou ensinar exige a coragem de ajustar a medida sem perder a ética. É um exercício silencioso de maturidade: perceber o outro não como deveria ser, mas como pode ser no agora.

Relacionar-se de modo responsivo é escolher a delicadeza como forma de sabedoria. É aceitar que a reciprocidade não é simetria, mas presença atenta; não é dar o mesmo, mas oferecer o que faz sentido para aquele que está diante de nós. Quando aprendemos a respeitar o tempo do outro, libertamo-nos da tirania da expectativa e transformamos vínculos em espaços de crescimento, não de cobrança. E você: tem exigido do outro aquilo que ele ainda não pode oferecer, ou tem aprendido a amar e liderar no ritmo possível de cada história?

 

 

Tatyanny Souza do Nascimento – Psicanalista e escritora

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores

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