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Na avaliação da presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben) e coordenadora de Sustentabilidade da Eletronuclear, Ruth Soares Alves, os problemas do sistema elétrico brasileiro “são de longa data, porque são estruturais”. Ruth falou no seminário Perspectivas da Energia Nuclear, no Rio de Janeiro, na última sexta-feira (12/9)

A executiva da Aben disse que os problemas ocorrem porque o Brasil não tem fontes confiáveis de energia. “Como você tem uma matriz energética como a nossa, que é eminentemente hidráulica, você depende de chuva. Se não chover, não vai ter energia, porque nós não temos muitos reservatórios”. Nos últimos 20 anos, as hidrelétricas construídas no País foram a fio d’água, sem reservatório. “Não choveu, não pode gerar. Vai ter que substituir por outra fonte”.

Nos últimos seis anos, estão sendo usadas fontes térmicas para suprir a falta de água nos reservatórios das hidrelétricas que, segundo Ruth Soares, não são planejadas para uso direto. “Elas são para dar estabilidade na matriz energética. Estamos usando 100% da nossa capacidade térmica instalada”. Além disso, as usinas termelétricas são mais caras que a nuclear, explicou. “O Brasil não tem um plano B”, disse.

Por isso, Ruth vê a energia nuclear como uma espécie de salvaguarda ou guarda-chuva, porque é feita para operar na base. “A usina nuclear está ligada o tempo todo”. Este ano, a energia gerada pela fonte nuclear atingiu 9.538GWh, com 1,99 GW de capacidade instalada. “Nós somos a menor capacidade instalada, por fontes, do Brasil. As demais fontes são todas maiores em termos de capacidade. Porém, não somos os menores geradores”.

Salientou ainda que uma usina térmica, em situação de emergência, como a escassez de água nos reservatórios hidráulicos, tem o preço de geração elevado no mercado, porque são usinas que não foram projetadas para ficar gerando direto energia. Já a nuclear tem preço fixo definido pela Agência Nacional de Energia Elétrica.

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