O VAZIO DA DOMINAÇÃO: REFLEXÃO SOBRE PODER E FRAGILIDADE –
Há pessoas que confundem grandeza com poder. Acreditam que impor medo, controlar vontades ou reduzir o outro ao silêncio é sinal de força. No entanto, essa postura revela exatamente o oposto: uma fragilidade interior que tenta se esconder atrás da dominação. Dominar alguém não é prova de superioridade, mas de insegurança. Quem é verdadeiramente grande não precisa diminuir ninguém para existir. A grandeza autêntica nasce do autoconhecimento, da capacidade de respeitar limites e de conviver com diferenças sem transformá-las em ameaças.
Já a necessidade de controle costuma surgir do vazio interno, da incapacidade de lidar com o próprio medo, frustração ou sentimento de inferioridade. Do ponto de vista humano e social, toda relação baseada na dominação é desequilibrada. Ela não constrói pontes, apenas ergue muros. Onde há imposição, não existe diálogo; onde há medo, não floresce o respeito. O dominador, ao tentar se afirmar, acaba revelando sua dependência do outro para validar a própria existência. A verdadeira força se manifesta na liberdade concedida, não na prisão imposta.
Portanto, pessoas emocionalmente maduras não disputam espaços pela força, mas os conquistam pelo exemplo, pela coerência entre discurso e prática, pela capacidade de inspirar e não de subjugar. Essa frase, portanto, nos convida a uma reflexão profunda: o desejo de dominar não engrandece ninguém. Pelo contrário, denuncia uma pequenez interior que ainda não aprendeu que crescer por dentro é o único caminho legítimo para ocupar qualquer lugar no mundo.
Assim, quem precisa dominar o outro para se sentir grande já nasceu pequeno por dentro.
Raimundo Mendes Alves – Advogado, procurador aposentado e vereador em São Gonçalo do Amarante-RN
