Era tímido e sabia manter a distância entre ele e os seus clientes ricos.
Um dos seus clientes, padrinho do seu filho, convidou-o para se associar aos Clubes da cidade, a fim de se entrosar mais com as pessoas e fazer novas amizades. Afinal, ele tinha dinheiro suficiente para frequentar a mesma roda social dos seus fregueses.
Aconselhou-o a arranjar um “personal stylist”, professor de etiquetas, para lhe ensinar a ser traquejado.
A primeira orientação desse “professor” foi de que ele providenciasse roupas de boas marcas, de cores berrantes e chamativas, para se vestir com mais elegância.
Sua esposa, Esmeralda, não aprovou nada disso, pois era muito simples e tímida. Mas, o marido não lhe deu ouvidos. Ele, então, foi na onda do compadre e se associou ao Clube Comercial e ao Lions Clube da cidade. Reuniões, festas, mensalidades e novas amizades. Nicanor passou a frequentar uma academia e se matriculou num curso de dança de salão. Seu sonho era aprender a valsar.
Contratou um professor de Português para lhe dar aulas, mas não houve jeito de Nicanor aprender nada mais do que já sabia. Continuou falando errado e lendo e escrevendo pouco e ruim. Leitura lhe dava sono. Jamais seria um autodidata.
Nicanor lembrou-se de um dos conselhos de sua saudosa mãe:
“Quem não pode com o pote, não pega na rodilha”.
Violante Pimentel – Escritora
As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
