
No dia em que o mundo cristão celebra o nascimento de Jesus Cristo, a capital potiguar comemora aniversário. Por isso foi batizada de Natal. Nesta terça-feira, 25 de dezembro, a cidade completa 413 anos. Para relembrar um dos fatos históricos mais importantes da cidade, o G1 preparou uma reportagem especial sobre a participação de Natal na Segunda Guerra Mundial.
A cara de Natal mudou em 1942. A chegada das tropas norte-americanas à capital potiguar trouxe também dinheiro e desenvolvimento. Em troca, a cidade cedeu sua posição geográfica considerada estratégica para o poderio militar dos EUA. Afinal, na América do Sul, Natal é o ponto mais próximo dos continentes europeu e africano.
“Os EUA precisavam de um local de onde pudessem decolar com segurança. Um ponto de apoio que permitisse abastecer e seguir direto para a África”, explicou o professor de história Luís Eduardo Suassuna, ou simplesmente professor Coquinho, como é mais conhecido.
Foi por suprir esta necessidade que Natal, e não Parnamirim, se transformou no ‘Trampolim da Vitória’ para os EUA. Os aviões vinham deste país, abasteciam em Natal e ficavam prontos para fazer a travessia do Atlântico rumo ao continente africano. “Muita gente pensa que este termo ‘Trampolim da Vitoria’ se refere a Parnamirim. Mas o município nem existia naquela época. A Parnamirim de hoje era um distrito de Natal, que só foi emancipada em 1950”, recordou Coquinho.
Um aeroporto com uma média de 200 voos diários, avenidas asfaltadas e a Base Naval do Alecrim foram marcas importantes do período. Mas, outras coisas menos relevantes, contudo muito apreciadas, também surgiram com a presença dos soldados americanos. Natal foi a primeira cidade brasileira a ter coca-cola, ketchup, óculos de aviador e calças jeans. Os natalenses também adicionaram ao idioma nativo expressões da língua inglesa, como o ‘ok’ e o ‘bye-bye’.
“O modo de vida americano foi penetrando na capital potiguar. O costume de fazer a barba com frequência, o hábito de tomar refrigerante, mascar chiclete. Tudo isso foi incorporado a nossa cultura. E daqui foi disseminado para o resto do país”, afirmou o professor.
O acerto para o envio de tropas brasileiras ao continente europeu foi realizado em Natal no ano de 1943. Para isso, foi necessária a vinda do presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt, e o do Brasil, Getúlio Vargas. Os dois circularam pela cidade, reconheceram mais uma vez a posição estratégica do lugar e acordaram como seria a parceria entre o Brasil e o bloco dos Aliados com a ida dos soldados brasileiros para a guerra.
Como existia o receio de que os alemães quisessem tomar Natal, exatamente pela localização privilegiada, os combatentes também precisavam tomar conta do litoral. O medo era de que os nazistas chegassem a Natal em submarinos.
Nesta época, cerca de 10 mil americanos se instalaram em Natal, cuja população era de aproximadamente 55 mil habitantes, segundo o estudo do professor Coquinho. “Este número não é exato. Mas, de fato, o grande volume de americanos aumentou a população local em cerca de 20%. É um percentual muito expressivo”, disse Coquinho. O grupo de estrangeiros costumava gastar muito dinheiro em Natal. Isso incrementou o comércio natalense.
Fonte: G1/RN