Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN em Kuala Lampur, Malásia. — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático – ASEAN em Kuala Lampur, Malásia. — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

Integrantes do Conselho de Paz da Faixa de Gaza que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no sábado (17) exercerão um mandato de três anos ou poderão ter cargos vitalícios caso paguem US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,37 bilhões) em dinheiro vivo.

As informações estão no projeto de estatuto do conselho ao que a agência de notícias Reuters teve acesso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado por Trump para integrar o conselho, ao lado de líderes e ex-líderes mundiais e integrantes do governo dos EUA.

➡️ O Conselho de Paz de Gaza é parte da segunda fase do acordo de paz para o território palestino, que prevê um governo de transição e o fim da guerra entre Israel e o Hamas.

Ainda segundo o projeto visto pela Reuters, a minuta de carta enviada a cerca de 60 países pelo governo dos EUA exige que os membros contribuam com US$ 1 bilhão em dinheiro para que sua participação dure mais de três anos.

“Cada Estado-membro cumprirá um mandato de no máximo três anos a partir da entrada em vigor desta Carta, sujeito a renovação pelo presidente”, afirma o documento, segundo a Reuters. “O mandato de três anos não se aplicará aos Estados-membros que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em fundos em dinheiro para o Conselho de Paz no primeiro ano”.

 

No sábado (17), uma reportagem da agência de notícias Bloomberg mencionava a taxa de US$ 1 bilhão. A Casa Branca negou e afirmou que não existe taxa mínima de adesão para integrar o “Conselho da Paz”.

“Isso simplesmente oferece filiação permanente a países parceiros que demonstrem profundo compromisso com a paz, a segurança e a prosperidade”, disse a Casa Branca em publicação na rede social X.

Trump anunciou a criação do conselho, um elemento-chave da segunda fase do plano respaldado por Washington para encerrar a guerra no território palestino. “Posso dizer com certeza que é o maior e mais prestigiado conselho já reunido em qualquer momento e lugar”, ressaltou, ao fazer o anúncio nas redes sociais.

Lula convidado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu um convite do mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, para fazer parte do chamado “conselho da paz” para GazaLula ainda não aceitou o convite.

Lula só deve avaliar se aceita ou não participar do conselho na próxima semana, segundo fontes com conhecimento sobre o assunto. Além disso, o governo brasileiro só deve se manifestar oficialmente sobre o convite do presidente norte-americano após Lula decidir se deve ou não aceitá-lo.

Também neste sábado, o presidente da Argentina, Javier Milei, confirmou ter sido convidado. Ao compartilhar uma imagem da carta-convite, Milei escreveu no X que será “uma honra” acompanhar a iniciativa presidida pelo próprio Trump e integrada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.

Os outros integrantes convidados são: o empresário bilionário americano Marc Rowan e Robert Gabriel, assistente de Trump que atua no Conselho de Segurança Nacional. Já o presidente americano vai presidir o órgão.

Segundo a Casa Branca, o conselho de paz vai discutir questões como “fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital”.

O presidente norte-americano também designou nesta sexta-feira o major-general americano Jasper Jeffers para dirigir a Força Internacional de Estabilização (ISF, na sigla em inglês) em Gaza, que terá a missão de manter a segurança no território palestino e treinar uma nova força policial para suceder ao Hamas.

O que está em jogo para Lula?

Desde o início do conflito, em outubro de 2023, Lula tem reiterado críticas às operações militares de Israel na Faixa de Gaza. O presidente brasileiro defende um cessar-fogo imediato e a criação de um Estado palestino.

A posição, registrada em discursos, entrevistas e manifestações em fóruns internacionais, se choca com o convite feito por Trump, apoiador de Israel.

Esse histórico de declarações pode colocar Lula em uma situação diplomática delicada diante do convite de Trump. Caso aceite integrar o conselho de paz, o presidente brasileiro poderá ser cobrado por coerência com as críticas que fez ao papel de Israel em Gaza, uma vez que a iniciativa é conduzida pelos Estados Unidos, principal aliado do governo israelense.

Além disso, o conselho não está vinculado diretamente à Organização das Nações Unidas (ONU), fórum que o Brasil costuma defender como central para a mediação de conflitos.

Por outro lado, uma eventual recusa ao convite também pode gerar custos diplomáticos. Trump preside o colegiado e tem buscado apoio internacional para legitimar a iniciativa.

Lula pode desagradar o presidente norte-americano ao não aceitar o convite – de quem ensaia aproximação desde as negociações do tarifaço para produtos brasileiros exportados para os EUA.

Além disso, setores da comunidade internacional podem criticar o Brasil caso o país se recuse a integrar um fórum voltado à reconstrução de Gaza, especialmente diante do discurso histórico do governo brasileiro de defesa do multilateralismo, da paz e da mediação diplomática.

Fonte: G1

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