INSEGURANÇA – 

Por curiosidade fui bisbilhotar em órgãos internacionais que mapeiam a violência em diferentes países do planeta e me alarmei com a posição do Brasil no ranking global. Foi triste a constatação, mas não poderia ser diferente ante o panorama de brutalidade que se descortina diante de nossos olhos.

No Ranking (2025) da ACLED – organização não governamental -, o Brasil está entre os dez países mais violentos do mundo, ocupando a 7ª posição, antecedido por Palestina, Mianmar, Síria, México, Nigéria e Equador, porém mais perigoso que Haiti, Sudão e Paquistão. É triste, mas essa é a nossa realidade.

A Violência Urbana e o Narcotráfico foram responsáveis pelos índices alarmantes de criminalidade, motivando disputas territoriais de facções como o Comando Vermelho. O cenário brasileiro, em 2025, foi caracterizado por uma fragmentação de grupos armados e de alto risco para a população civil, assemelhado a zonas de conflitos armados.

Ou seja, vivenciamos nas metrópoles e cidades de médio porte do país cenas diuturnas de brutalidade que não se prendem apenas a localidades específicas, pois se estendem por todos os bairros e logradouros das comunidades. Em resumo: a banalização da violência.

São Paulo e Rio de Janeiro são os exemplos mais emblemáticos da falta de segurança civil no país. Em 1971, eu me dediquei a especializações profissionais na então Cidade Maravilhosa. Lá, eu me deslocava por todos os bairros e nunca sofri ou presenciei qualquer tipo de agressão física, quer no centro ou na periferia da cidade.

Em pouco mais de quinze anos a cidade virou de ponta cabeça e tudo degringolou, chegando ao estágio atual onde somos assaltados ou assassinados em plena luz do dia e/ou na calada da noite, na rua, em casa ou em qualquer lugar.

O país perdeu as estribeiras e agora pode tudo, porque não somos nada nas mãos da criminalidade. Como se não bastasse, ampliou-se a bandidagem da corrupção praticada pelos homens de “colarinho branco” por causa da impunidade, acarretando prejuízos enormes para a nação.

Após a megaoperação policial nos Complexos da Penha e do Alemão, em outubro de 2025, no Rio de Janeiro, que resultou na morte de 122 integrantes do Comando Vermelho, no calor da notícia falou-se na criação de uma Proposta de Emenda à Constituição visando a Segurança Pública (PEC da Segurança).

Passada a estupefação inicial causada pelo massacre a dita PEC foi esquecida na gaveta de algum parlamentar como algo de somenos importância para a sociedade ou, em consequência de interesses obtusos impublicáveis.

Pudera. Somos o país do “dinheiro na cueca”, escondido em pacotes dentro de casa ou remetido para paraísos fiscais, por causa das origens escusas. Não falta criatividade ou despudor na criminalidade como a que vivenciamos no momento, durante o desmanche do Banco Master, considerado o maior crime financeiro ocorrido no país desde a redemocratização.

Qual a conclusão que se tira para tanto descaso e insensibilidade para com a segurança pública e quanto a focos de corrupção nos poderes da república e na sociedade civil? Apenas uma resposta paira no ar contaminado por tanto despudor, desumanidade e desrespeito ao cidadão e ao eleitor: no Brasil, o crime compensa.

 

 

 

José Narcelio Marques Sousa – Engenheiro civil

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