Entre 2000 e 2011, o Estado caiu quatro posições no ranking de produção no mar e amargou a sexta colocação, entre os estados produtores. No ranking que considera tanto a produção no mar quanto em terra, o RN ficou numa posição ainda mais desconfortável: o 7º lugar. Foi ultrapassado por Sergipe e Espírito Santo, estados que não produziam nem 70% do que o RN produzia há 12 anos.
Nos últimos anos, a produção de gás natural no estado caiu quase pela metade e o consumo recuou 34,62%. As reservas também encolheram. Bira Rocha, ex-presidente da Federação das Indústrias do RN (Fiern), relaciona a queda na produção à falta de investimentos por parte da Petrobras. A estatal, por sua vez, assegura que “investe continuamente na prospecção exploratória de novas reservas de gás para manter e ampliar sua produção no RN” e justifica que a Bacia Potiguar é uma bacia madura (que produz menos).
Há também outras razões para a retração, na avaliação do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom). A crise energética que atingiu o país em 2001 é apontada como uma das causas para a queda no consumo de gás natural por consumidores finais. O reflexo direto é o fechamento de várias convertedoras de gás e a demissão de trabalhadores. O número de convertedoras caiu de 32 para seis, entre 2002 e 2012, no RN.
A Potigás, companhia responsável pela distribuição de gás canalizado no RN, acredita que o quadro pode ser revertido. O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) concorda, mas avisa: os resultados vão demorar a aparecer. O setor desacelerou e precisará de incentivos para engatar novamente, afirma Alízio Vaz, presidente do Sindicato.
As vendas de Gás Natural Veicular – gás usado para abastecer veículos – no país também servem de indicador. Elas caíram 22,7% entre 2007 e 2011. O GNV, que havia experimentado um incremento de 1.677% nas vendas entre 1999 e 2007, foi, ao lado do óleo combustível, um dos dois combustíveis que perderam espaço nos últimos seis anos. Todos os outros, entre eles gasolina e etanol, ganharam terreno. A participação do GNV nas vendas do país caiu de 2,89% para 1,8% entre 2007 e 2011. A de gasolina passou de 27,6% para 32% no mesmo período.
O preço, afirmam os especialistas, foi o grande vilão. Abastecer com GNV em dezembro do ano passado estava, em média, 146,5% mais caro do que abastecer com GNV em 2001. Se antes o potiguar pagava, em média, R$ 0,76 por m³, hoje ele paga cerca de R$ 1,89. O preço pode chegar a R$ 2,00, dependendo do local. O eletricista Carlos Eduardo Silva da Costa, 39, percorre entre 80 e 90 quilômetros por dia e até pensou em deixar de abastecer com GNV. “Tenho dois veículos. Abasteço os dois com GNV. Pensei em mudar o combustível, mas como já instalei os compressores, desisti da ideia”. Os veículos são flex e são abastecidos com gasolina quando a diferença de preço diminui. “Antes compensava. Agora não compensa mais”, afirma. Vanklin Leidson dos Santos Silva, 27, abastece com GNV desde que se tornou taxista, há 9 anos, e confirma: “antes instalar um kit de GNV era um bom negócio”.
Fonte: TN/Abegás