FORA FANATISMO –

Fanatismo é a devoção, paixão ou zelo exagerado e irracional por uma causa, doutrina, time ou pessoa, caracterizado pela cega adesão e intolerância a opiniões contrárias. Manifesta-se como uma “ideopatia” que ignora a realidade, podendo levar a comportamentos agressivos, extremos ou perigosos.

No fanatismo religioso e no extremismo político são onde vicejam com frequência e intensidade alarmantes o radicalismo. Daí eu continuar afirmando que tanto o radicalismo quanto o fanatismo emburrecem e embrutecem as pessoas, mesmo as de inteligências marcantes ou de pacificidades indiscutíveis.

Assistimos no momento a cenas de fanatismo no campo religioso na guerra de Israel contra o Irã, envolvendo grupos como o Hezbollah (Líbano), Hamas (Gaza) e os Houthis (Iêmen), além de outros países árabes e muçulmanos com os quais Netanyahu não mantém relações diplomáticas, causando cenas terríveis de brutalidade por divergências de crenças.

Já na esfera política o fanatismo se instala impulsionado por uma combinação de fatores sociais e econômicos dentre outros. No cenário contemporâneo essa radicalização se intensifica no espectro ideológico, chegando a afetar o debate político como um todo.

Existe no nosso país uma polarização de décadas entre petismo e antipetismo, sendo o motivo fundamental da radicalização política em disputas bipartidárias de candidatos que desejam se perpetuar no poder.

Embora sejamos uma república multipartidária prevalece um sistema político no qual poucos partidos conseguem assumir o controle do governo, de maneira independente ou em coalizões. Tudo concentrado num embate de direita contra esquerda que se estende há décadas, ampliando para limites intoleráveis o fanatismo e o radicalismo.

A maioria da população desconhece que o Brasil conta, na atualidade, com 30 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral e outros 23 ainda em fase de organização. Deles poderão surgir diferentes candidatos para concorrer ao cargo maior da República e para o Congresso Nacional, em 2026.

Estarão aptos a votar cerca de 154 milhões de eleitores, estimados 72% dos brasileiros. Seria uma ótima oportunidade de exercitarmos o sagrado direito republicano de escolha, fugindo do lugar comum em busca de opções ainda não testadas à frente da presidência do Brasil e demais mandatos públicos, dando relevância aos resultados administrativos pregressos dos candidatos.

Se o escândalo da Lava Jato nos deixou estarrecidos num passado recente, o escarcéu dos dois últimos anos superou em grandeza e em podridão tudo o que a dignidade e a honradez dos brasileiros poderiam suportar ou sequer imaginar.

Façamos do voto uma arma para combatermos o bom combate, extirpando da política brasileira os lobos travestidos de cordeiros que invadem as mentes desavisadas de eleitores, incentivando o fanatismo para dominar a nação sem quaisquer escrúpulos.

Quebremos a corrente da mesmice envelhecida com um voto revestido de avaliações conscientes e progressistas. Abominemos o fanatismo político do nosso país, porém, se nele quiserem insistir, que viceje apenas no futebol.

 

 

 

José Narcelio Marques Sousa – Engenheiro civil

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