Evidências mostram que texto não assinado poderia ser de Machado; atribuição de textos não assinados, é, entretanto, difícil

historiadora Cristiane Garcia Teixeira descobriu um texto apócrifo que, segundo ela, pode ser de autoria de Machado de Assis. Durante uma pesquisa para sua tese de mestrado, a pesquisadora encontrou algumas edições de uma antiga publicação jornalística na qual o jovem Machado colaborava, com textos assinados e não assinados. A descoberta ainda é levada como hipótese, mas a teoria é, segundo alguns especialistas, muito forte. As informações são do UOL Tab.

Foi na edição 10 da ‘Espelho – Revista de litteratura, modas, industria e artes’, de 1859, que Cristiane encontrou uma curiosa biografia de Dom Pedro II. Não assinado, o texto trazia algumas características do texto machadiano: além de ser escrito em primeira pessoa, ela percebeu uma ‘assinatura’ do autor: antes de falar de política, negar que falaria sobre política.

Mas não é só isso: Cristiane observou que o texto se posicionava nas mesmas páginas ocupadas por Machado em edições prévias da revista e também observou que, em dois números anteriores da publicação (6 e 9), havia um anúncio de que haveria uma sessão de biografias assinada pelo escritor.

“Tem duas coisas que são muito dele: a primeira é a escrita em primeira pessoa; a segunda é o negaceio que ele faz muito bem. Ele diz ‘não vou escrever sobre política’, mas quando ele fala isso é porque justamente vai escrever sobre política. E na biografia, ele diz que não vai se ater a esse campo, que vai deixar para os historiadores e tal, mas é justamente assim que apresenta as informações”, afirmou a historiadora ao UOL Tab.

Apesar de existirem fartas evidências de que o texto é de Machado, não há prova concreta. É claro que a hipótese é bem reforçada e pode mostrar uma nova linha nos textos apócrifos desse ícone da literatura brasileira. Mas, ainda assim, a tese é controversa.

“Como ela mesma [Cristiane] argumenta, a atribuição de autoria para esses textos é controversa. Era comum àquela altura esse tipo de texto não assinado. A meu ver há um complicador: se de fato o texto é de Machado de Assis, ele no entanto é de um Machado muito jovem, cujo estilo ainda não está sequer cristalizado. Isso não desmerece a hipótese e a argumentação da historiadora, mas adiciona uma camada de dúvida”, argumenta o Professor de Teoria e História Literária na Universidade de Princeton (EUA), Pedro Meira Monteiro, ao Tab.

 

 

 

Fonte: Hypeness.com

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