CIRCO DE HORRORES –

Tais quais os espetáculos atrozes de séculos passados, produzidos por imperadores romanos para divertir plateias ávidas por sangue, hoje assistimos com ares de indiferença a matança de seres humanos como quem elimina surtos de pragas indesejáveis.

A displicência e a naturalidade com as quais testemunhamos ao extermínio de muçulmanos habitantes da Faixa de Gaza ou ao massacre irracional perpetrado pelo Irã contra os próprios concidadãos, são atitudes no mínimo irracionais.

A desumanidade está aflorando em toda sua intensidade e com tamanha frequência, que sequer dá tempo para atentarmos para o grau de brutalidade nela contida. Basta ver a indiferença de parte da imprensa e de governantes diante de tais atos. Daí vem o questionamento: Onde estão os integrantes morais e filosóficos da humanidade?

Li texto recente do escritor, Luiz Felipe Pondé, onde ele diz que: As militâncias ideológicas são da mesma ordem do fanatismo religioso. E, em seguida: Por isso, pouco adianta tentar argumentar com tais agentes. Esse ato seria semelhante a argumentar com um enxame.

Pondé, também afirma que: O componente irracional humano é o que move a adesão ideológica. Não é o desejo de melhorar o mundo, mas, sim, o gosto de sangue. Se não fosse isso, por que tantos revolucionários sempre gozaram com a palavra “terror”? A paixão pelo terror é a paixão política essencial em questão.

O radicalismo político emburrece e embrutece as pessoas tal qual a paixão desmesurada por certas idolatrias. Por outro lado, o ter em detrimento do ser prioriza o acúmulo de bens materiais para alguns privilegiados enquanto acirra a desigualdade social, provocando o aprofundamento da pobreza.

Para tais mentes distorcidas, os malefícios decorrentes da pobreza devem ser combatidos não com assistência humana e procedimentos igualitários, mas mediante a pura e simples extinção da casta indesejável.

E nada se antevê em futuro próximo algo que possa mitigar o sofrimento dos menos favorecido com o “vil metal”. Pelo contrário, o Fórum Econômico de Davos 2026, na Suíça, abordará a velocidade com que bilionários atuais acumularam patrimônios superiores a projeções anteriores, tornando a figura do trilionário uma realidade para os próximos anos.

O escritor citado acima, encerra assim o seu texto: Profetas do terror como Marx, Lênin, Foucault, entre outros, recebem o tratamento de “especialistas” nas sociedades dos homens, quando, na realidade, não entendem patavina acerca de quem vai à feira comprar ovos e tomates para comer em suas casas de pobres. 

Em suma, enquanto a riqueza material de alguns progredir em detrimento da desgraça da casta humana menos abonada, não se antevê no horizonte da racionalidade nenhuma mudança na desumanidade perpetrada contra os menos favorecidos.

Continuaremos presenciando as mesmas cenas de extermínio em massa com a naturalidade de quem assiste a filmes de terror, sem quaisquer responsabilizações sobre os autores de tais chacinas. Ou seja, vivenciamos a repetição aprimorada do Circo de Horrores de Roma antiga, desprovidos de escrúpulo ou remorso.

 

 

 

 

José Narcelio Marques Sousa Engenheiro civil

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