O BANHO DE CUIA – Violante Pimentel

O BANHO DE CUIA – No tempo das estradas de barro e da falta de água encanada, Luiz Rufino, motorista profissional, dirigia um misto, caminhão antigo, de duas boleias. Fazia a linha entre duas cidades do Rio Grande do Norte, Currais Novos e São Tomé . As estradas esburacadas, os solavancos e o calor exaustivo […]
A DECEPÇÃO – Violante Pimentel

A DECEPÇÃO – Anos atrás, um pobre homem, completamente embriagado, pisava torto numa rua de grande movimento em Natal e morreu atropelado por um ônibus. Sem documentos, o corpo foi conduzido ao IML, e lá permaneceu à espera de alguém que fizesse sua identificação. O caso foi noticiado no programa de rádio “Patrulha da Cidade” […]
O EMBAIXADOR – VIOLANTE PIMENTEL

O EMBAIXADOR – Luiz entrou para o serviço diplomático brasileiro em 1947, tendo servido em Belgrado, (capital da antiga Iugoslávia), México, Guatemala, Egito, Dinamarca, Japão, Venezuela, Suriname e República Dominicana. Até então, fora um jovem imaturo, que, por competência pessoal, furara as barreiras tradicionais, que fechavam o acesso à carreira diplomática brasileira, aos jovens que […]
A MADAME – Violante Pimentel

A MADAME – Malvino, 65 anos, morava perto de um botequim, que era um verdadeiro canavial. Lá, a cana corria solta e os caneiros enchiam a cara no final da tarde, entrando pela noite. Uns iam curtir a bebedeira em casa e outros ficavam no botequim até de madrugada. Malvino fazia parte do grupo que […]
O TROCO – Violante Pimentel

O TROCO – Idalino e Lenira, ambos com 57 anos, eram casados há 30 anos. e tinham dois filhos, com 25 e 27 anos. Júlio, o mais novo, muito calmo, casou-se com a primeira namorada e já dera um neto aos pais. Tiago, o mais velho, era um “boa vida” e muito inconstante. Apaixonava-se facilmente […]
A TRAIÇÃO – Violante Pimentel

A TRAIÇÃO – Jonas, há quinze anos casado com Josefa, e com três filhos adolescentes, era um marido fiel e ótimo chefe de família. Entretanto, a rotina, maior rival dos relacionamentos amorosos, já tinha mandado para o espaço a paixão que uniu o casal. Josefa respeitava muito o marido e sempre dizia: -Enquanto você me […]
A VISITA – Violante Pimentel

A VISITA – Rosa e Bento estavam em casa, numa sexta-feira à tardinha, quando um amigo que estava em Natal, numa excursão, telefonou, dizendo que ele e a esposa queriam aproveitar aquela noite, para visitá-los. se fosse possível. No dia seguinte, teriam que cumprir a programação do pacote turístico, sendo impossível visitá-los depois. Muito preocupados […]
O BANQUETE – Violante Pimentel

O BANQUETE – Luiz Gonzaga Pimentel, nascido em Natal (RN) no século passado, cursou a Escola Naval no Rio de Janeiro, e ingressou na Marinha de Guerra. Fez uma brilhante carreira militar, chegando ao posto de Almirante. Foi comandante do Navio Almirante Barroso e chegou a exercer o cargo de Adido Militar do Brasil, em […]
O FANATISMO – Violante Pimentel

O FANATISMO – Décadas atrás, havia em Natal dois boêmios e amigos inseparáveis, Plínio e Baltasar, fanáticos por velórios e enterros. Nessa época, os velórios ocorriam em casa, pois ainda não havia Centro de Velórios na cidade. Diariamente, eles se informavam sobre a ocorrência de algum óbito e o endereço do velório. E para lá […]
O MAIOR ABANDONADO – Violante Pimentel

O MAIOR ABANDONADO – A festa na casa de Rita e Eudo, em Nova-Cruz (RN), num dia de sábado, começou ao meio dia. Era o aniversário do dono da casa. Vários amigos e familiares foram convidados. Dona Leide e Seu Vítor, exímio violonista, tinham chegado de Natal, para prestigiar o aniversário do filho. A família […]
FARRAPO – Violante Pimentel

FARRAPO – Farrapo era o apelido de João Batista, um garoto órfão de pai e mãe, criado por parentes muito pobres. Suas roupas eram verdadeiros farrapos, dados por alguma alma caridosa. Por isso, os colegas lhe deram esse apelido. Muito criança ainda, Farrapo se acostumou a sair de casa todas as manhãs, para mendigar o […]
A DEVOÇÃO – Violante Pimentel

A DEVOÇÃO – Antigamente, nas Escolas Públicas, uma vez por semana havia uma “hora cívica”, antes do início das aulas. A Diretora se reunia no pátio da escola, com os professores e todos os alunos. Havia o hasteamento da Bandeira Brasileira e todos cantavam o Hino Nacional, com a mão no coração. Uma das matérias […]
O CAMPEÃO – Violante Pimentel

]O CAMPEÃO – Décadas atrás, em Natal, na descida do Baldo, um pequeno grupo de boêmios gostava de se reunir na calçada de uma bodega muito simples, onde só havia uma mesa velha e algumas cadeiras. No começo, eram poucos frequentadores, mas depois houve outras adesões. Os novatos sentavam-se até em caixotes vazios. Não queriam […]
UM PEDAÇO DE CARNE – Violante Pimentel

UM PEDAÇO DE CARNE – Madalena era uma mulher muito pobre, que tinha uma mãe paralítica para sustentar e uma irmã retardada mental. Muito sofrida, tinha sido prostituta no tempo da II Guerra, chegando a ganhar muito dinheiro dos americanos, que permaneceram em Natal, durante algum tempo. Como era feiosa, muito alta e desengonçada, além […]
O PALHAÇO – Violante Pimentel

O PALHAÇO – Ruth se apaixonou pelo Circo Nerino, ainda criança. Todas as vezes em que esse fantástico Circo vinha ao Recife, seus pais a levavam para assistr aos belos espetáculos de palco e picadeiro, com acrobatas, trapezistas, palhaços, além dos belos animais. O “Circo Nerino” nunca saiu da sua cabeça. Mais de vinte anos […]
O RIRRI – Violante Pimentel

O RIRRI – A história do zíper, fecho éclair ou simplesmente “fecho”, começou em 1893, na Exposição Mundial de Chicago, nos EUA, onde esse objeto deslizante, para fechar e abrir roupas, foi apresentado pela primeira vez. Tratava-se de uma versão primitiva do dispositivo, com minúsculos ganchos e argolas, desenvolvida pelo engenheiro americano Whitcomb Judson. Cansado […]
O JOGO – Violante Pimentel

O JOGO – Cena ocorrida pelos caminhos do século passado, meados da década de 60. Numa cidade do interior nordestino, Seu Messias, comerciante e religioso fanático, sabia a Bíblia decorada, e gostava de pregar o Evangelho a toda hora. Falava difícil e gostava de impressionar os ouvintes, usando sempre palavras desconhecidas, tiradas do dicionário. As […]
XEXÉU – Violante Pimentel

XEXÉU – Alexino, desde menino, por ser muito briguento, foi apelidado de XEXÉU. Tornou-se um rapaz bonito, boêmio e seresteiro, dono de uma belíssima voz. Por causa disso, continuou sendo chamado de Xexéu, pássaro de canto melodioso, que, facilmente, pode ser confundido com um coral de vozes harmoniosas. Xexéu era um conquistador nato. As mulheres […]
O PNEU FURADO – Violante Pimentel

O PNEU FURADO – Na década de 60, Tarcilda, uma balzaquiana, foi passar alguns dias na casa de uma tia, no interior do Rio Grande do Norte, incluindo as festas de final de ano. Dessa vez, já com trinta anos, a moça foi disposta a arranjar um namorado, para fins de “um relacionamento sério”. Era […]
A PROMESSA – Violante Pimentel

A PROMESSA – São Severino dos Ramos (ou São Severino do Ramo) é uma imagem devocional católica, centro de um importante culto religioso, em alguns estados do Nordeste do Brasil, como Pernambuco e estados vizinhos. A estátua em tamanho natural, cuja origem é incerta, representa São Severino de Nórica, deitado e vestido em trajes de soldado […]