A MOLEZA – Violante Pimentel

A MOLEZA – Numa sexta-feira, ao terminar o expediente, os advogados de um escritório de advocacia de Natal, como costumavam fazer, saíram direto para um barzinho. Pouco tempo depois, Marleide, 45 anos, esposa do mais velho, Dr. Salomão, 50 anos, começou a lhe telefonar direto, para que fosse para casa jantar. Já impaciente, o marido […]
A CIRURGIA – Violante Pimentel

A CIRURGIA – Há várias décadas, entrando pela 2ª metade do século passado, em Nova-Cruz (RN) o atraso era geral. Não havia energia elétrica, água encanada, hospital, clínicas ou consultórios médicos. Qualquer problema de saúde, que um chá com uma “Cibalena” não resolvesse, o caminho certo era procurar atendimento médico em Natal ou João Pessoa, […]
A ARAPUCA – Violante Pimentel

A ARAPUCA – Há viciados em bar, que não se conformam em voltar para casa, no fim da noite, quando o proprietário começa a fechar as portas e os garçons começam a recolher mesas e cadeiras. Por eles, continuariam fazendo o exercício de levantamento de copos, até o dia amanhecer. Alguns fazem de conta que não estão vendo o dono fechando as portas […]
A PRIMEIRA NOITE – Violante Pimentel

A PRIMEIRA NOITE – Lúcia e Bento, recém-casados, viajaram em lua de mel, de carro, para conhecerem uma agradável cidade serrana, na Paraíba. A viagem, mesmo longa, foi muito agradável, pois os dois “pombinhos”, finalmente, iriam se pertencer, uma vez que Lúcia teve uma educação muito rígida e reprimida.. Nesse tempo, as noivas ainda casavam […]
RETRATO DE UM CASAMENTO – Violante Pimentel

RETRATO DE UM CASAMENTO – Faço parte, no facebook, do grupo “NOVA-CRUZ NA MEMÓRIA E NO CORAÇÃO”. O presidente do grupo é Celso Lisboa Neto, o nosso querido amigo Celsinho. Ontem à noite, ele postou uma foto das antigas, como ele diz, e pediu a quem identificasse alguma pessoa conhecida, que se pronunciasse. A foto […]
O TREM – Violante Pimentel

O TREM – Anos atrás, o trem passava como um raio em Logradouro, um lugarejo que liga Nova-Cruz (RN) à Caiçara (PB), uma das fronteiras do Rio Grande do Norte com a Paraíba.. A meninada, todas as tardes, esperava o espetáculo da passagem do trem, o que para eles era uma diversão. A velocidade, com […]
A ABRIDEIRA – Violante Pimentel

A ABRIDEIRA – No Brasil, a aguardente de cana, posteriormente denominada “cachaça”, está ligada à cultura popular, assim como o samba e o futebol. Começou como bebida dos escravos e de pessoas pobres. Com a evolução dos costumes, os ricos descobriram a cachaça e o preconceito que havia contra ela desapareceu. Atualmente, a cachaça […]
ARCO-DA-VELHA – Violante Pimentel

ARCO-DA-VELHA A calçada da casa de praia na Barra do Cunhaú estava animada. Sessão de conversas amenas de uma noite de verão. Histórias do “Arco da Velha” vinham à tona. Lembranças e saudades das coisas de Nova-Cruz. Saudade do apito e do barulho do trem, quando a locomotiva Maria Fumaça fazia suas manobras em plena […]
O CÓDIGO DE BARRAS – Violante Pimentel

O CÓDIGO DE BARRAS – Nerina era muito espirituosa e vivia de bem com a vida. Muito querida, tinha sempre um bom conselho para dar às amigas. Não sabia o que era mau-humor. Era casada com Salin,, um turco da fala enrolada, apesar de radicado no Brasil, há muitos anos. . O casamento já durava […]
OS CONES INFERNAIS – Violante Pimentel

OS CONES INFERNAIS – Os cones de tráfego (também chamados cones de estrada ou cones de segurança) são cones de plástico, de cores brilhantes e fortes. São sempre vermelhos, amarelos ou laranja, com uma fita refletora que os torna mais visíveis., Esses cones são muito usados nas estradas e também dentro das cidades. Tem a […]
O GATO – Violante Pimentel

O GATO – Carmen criava um gato preto retinto, a quem dera o nome de Koruga. Ela acostumou o gato a ser “luxento” . Era um gato tão bonito, que parecia um príncipe negro, um verdadeiro “ébano”. O gato vivia dormindo no sofá, no tapete, nas cadeiras, nas camas, conforme sua vontade, e ela não […]
PISA NA FULÔ – Violante Pimentel

PISA NA FULÔ – Esse era o apelido de Gerinaldo, um “faz tudo” ou “quebra-galho” de Natal. Ele era ótimo para fazer pagamentos em bancos, enfrentar filas do INPS, desde a madrugada, para tirar fichas para atendimento médico, resolver problemas na Prefeitura, no Detran e em outras repartições públicas. Todos os “abacaxis”, ele descascava com […]
OS LENÇÓIS – Violante Pimentel

OS LENÇÓIS – Na sua venda, que na verdade era um armazém de “Secos e Molhados”, Seu Francisco vendia em grosso e a varejo. No grande depósito, entre diversas mercadorias, ele estocava açúcar da Usina “Estivas”, comprado em sacas de 60 quilos, feitas de tecido de algodão rústico. À medida que o açúcar ia sendo despejado num depósito de madeira com […]
A VOCAÇÃO – Violante Pimentel

A VOCAÇÃO – Era dia de Finados, 2 de novembro, década de 70. Luizinho, 12 anos, entrou na venda do tio Francisquinho, pela manhã, e pediu que lhe confiasse uma caixa de velas, com 20 caixinhas, para ele vender no Cemitério. Quando vendesse todas, voltaria para pagar a dívida. Perguntou qual era o valor e […]
O ALFAIATE – Violante Pimentel

O ALFAIATE – Nicanor ficou rico costurando roupas masculinas. Alfaiate de mão cheia, aprendeu esse ofício, ainda rapaz, ajudando a um antigo alfaiate da cidade. Começou pregando botões, fazendo costuras de mão e alinhavos. Anos depois, de ajudante, passou a dono da alfaiataria. Nesse tempo, as máquinas de costura eram manuais ou de pedal. Com […]
A UNIÃO – Violante Pimentel

A UNIÃO – Antonina, viúva, 38 anos, tinha duas filhas e era costureira. Apaixonou-se por Zé Bento, um fazendeiro de 60 anos, também viúvo e com um filho rapaz. O romance dos dois resultou num “casamento” pelo regime do livre arbítrio, onde não foi preciso padre nem juiz. Como toda vassoura nova varre bem, […]
O APELO – Violante Pimentel

O APELO – “UMA ESMOLINHA, PRA MINHA MÃE JEJUAR NO DIA D’HOJE!!!”. Nunca esqueci esse triste apelo, ouvido das crianças que pediam esmolas, de porta em porta, em Nova-Cruz, na Quinta-Feira Santa e na Sexta-Feira da Paixão. Aos meus ouvidos, esse apelo soava como um lamento cheio de dor. Na sala da nossa casa, ficavam […]
O QUINTAL – Violante Pimentel

O QUINTAL – A casa da minha infância, em Nova-Cruz (RN), era vizinha à de Dona Júlia, minha avó paterna, onde havia um enorme quintal. Eu acordava cedo e corria logo para lá, ao encontro das goiabeiras, colher as minhas frutas preferidas. Minha avó sempre dizia que eu iria ficar com o pescoço defeituoso, de […]
“E O DESTINO DESFOLHOU” – Violante Pimentel

“E O DESTINO DESFOLHOU” – Esse é o título de uma linda valsa, uma das preferidas do meu pai. Quando eu era menina, sempre o ouvia solfejá-la. Descobri agora, pesquisando, que é da autoria de Gastão Lamouner (1893-1984) e Mário Rossi (1911-1981) – gravação de Carlos Galhardo (ODEON- 1938). Houve uma época, quase na década […]
UMA LUTA INGLÓRIA – Violante Pimentel

UMA LUTA INGLÓRIA – Acabou-se o tempo em que a vaidade era requisito exclusivamente feminino. Décadas atrás, ouvi meu avô materno dizer que perfume de homem era o suor. No seu entender, homem de verdade não usava perfume, pois isso era coisa de mulher. Com a modernidade, o homem passou a ser concorrente da mulher, […]