Após o ataque coordenado de Estados Unidos e Israel contra o Irã, no sábado (28), o presidente americano, Donald Trump, afirmou neste domingo que a nova liderança iraniana quer retomar as negociações e que ele concordou em dialogar.

O republicano, no entanto, não informou quando a conversa deve ocorrer. Questionado se o contato aconteceria hoje ou amanhã, respondeu: “Não posso dizer isso”.

Trump também disse que parte dos negociadores iranianos envolvidos nas tratativas recentes morreu nos ataques.

“A maioria dessas pessoas se foi. Algumas das pessoas com quem estávamos lidando se foram, porque aquilo foi um grande — foi um grande golpe”, declarou.

Os bombardeios de sábado mataram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Segundo a mídia estatal iraniana, outros integrantes da cúpula militar também morreram.

Um resumo dos fatos

Pela manhã, explosões foram registradas na capital, Teerã, e em diversas outras cidades iranianas. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas no Oriente Médio.

O ataque ocorreu após semanas de negociações tensas e pressão dos EUA para que Teerã encerrasse seu programa nuclear.

O que se sabe do ataque de EUA e Israel:

  • Agências de notícias informaram que mísseis atingiram áreas próximas ao palácio presidencial e a instalações utilizadas pelo líder supremo em Teerã, capital do Irã.
  • As Forças de Defesa de Israel (IDF) divulgaram um comunicado que lista os membros do alto escalão iraniano mortos.
  • Entre eles, está o o líder supremo do Irã, Ali Khamenei.
  • O ministro da Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammed Pakpour, morreram nos ataques israelenses. Ali Khamenei não estava nesta lista.
  • Segundo a agência estatal iraniana Fars, explosões também foram ouvidas nas cidades de Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah, em diferentes regiões do país.
  • O Exército israelense afirmou ter atingido “centenas de alvos militares iranianos”, incluindo lançadores de mísseis.
  • O ataque deixou 201 mortos e 747 feridos, segundo a imprensa iraniana com base em informações da rede humanitária Crescente Vermelho.
  • O bombardeio a uma escola de meninas no sul do Irã deixou mais de 100 mortos, segundo o embaixador do Irã na ONU. Na mesma região, outras 15 pessoas morreram em um ginásio.

O que se sabe sobre a retaliação do Irã:

  • Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra o território israelense, onde sirenes de alerta foram acionadas.
  • Explosões também foram ouvidas em outros países da região, como Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Iraque, Jordânia e Emirados Árabes Unidos — todos com presença de bases norte-americanas.
  • Em comunicado, os Emirados Árabes Unidos disseram ter interceptado vários mísseis iranianos e informaram que uma pessoa morreu na capital, Abu Dhabi. Uma explosão também foi ouvida em Dubai e vários prédios residenciais foram atingidos no Bahrein.
  • Sistemas de defesa antimísseis foram acionados por Israel e por países do Golfo.
  • 4 pessoas morreram na Síria após um míssil iraniano atingir um prédio, informou a Reuters.
  • Já na noite de sábado, o Irã lançou uma nova rodada de mísseis, mirando alvos militares e de segurança dos EUA e de Israel.
  • Uma pessoa morreu e outras 21 ficaram feridas na região de Tel Aviv
  • Outra pessoa morreu e mais sete ficaram feridas em um “incidente” no Aeroporto Zayed, em Abu Dhabi.
  • Quatro pessoas ficaram feridas após um incidente no Aeroporto Internacional de Dubai, informou o gabinete de imprensa da cidade neste sábado.
  • O escritório de comunicação do governo de Dubai confirmou que destroços de um drone interceptado causaram um incêndio na fachada externa do edifício Burj Al Arab.

Israel faz novos ataques contra Teerã

Israel lançou na manhã deste domingo (1º) uma nova onda de ataques contra Teerã, capital do Irã, e outras regiões do país. O Irã, em contrapartida, respondeu com uma salva de mísseis contra o território israelense.

“A Força Aérea iniciou neste momento uma ampla onda de ataques contra alvos do regime terrorista iraniano no coração de Teerã. Ao longo do último dia e da última noite, a Força Aérea realizou ataques extensivos com o objetivo de alcançar superioridade aérea e abrir caminho em direção a Teerã”, afirmou o Exército israelense em comunicado.

Explosões foram ouvidas em diversas regiões de Teerã, e colunas de fumaça pela capital iraniana foram registradas por agências de notícias locais e internacionais. O aeroporto internacional de Mashhad, no nordeste iraniano, foi atingido por míssil.

O Irã, por sua vez, lançou uma nova onda de mísseis contra o território israelense e também contra outros países do Oriente Médio que abrigam bases militares dos Estados Unidos.

Programa nuclear iraniano está no centro do confronto

A escalada militar entre Irã, EUA e Israel tem como pano de fundo uma disputa antiga: o programa nuclear iraniano.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o objetivo do ataque é destruir o programa nuclear iraniano e proteger o povo americano de ameaças.

“Nós garantiremos que o Irã não terá uma arma nuclear”, afirmou. “Sempre foi a política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que este regime terrorista nunca poderá ter uma arma nuclear”.

 

Trump considera o programa uma ameaça, embora o governo iraniano negue possuir uma bomba nuclear. Parte da comunidade internacional, incluindo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), responsável pela fiscalização nuclear no mundo, contesta a versão iraniana.

Essa é a segunda vez em menos de um ano que os EUA atacam o Irã. Em junho de 2025, uma operação norte-americana bombardeou estruturas nucleares iranianas. A ação ocorreu em apoio a Israel, que travava conflito com o país.

O resultado do ataque de nove meses atrás, no entanto, permanece incerto. Na época, o presidente americano disse que as instalações haviam sido destruídas. Em seguida, Rafael Grossi, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, afirmou que os ataques causaram danos graves, embora “não totais”.

Ali Khamenei, líder supremo do Irã, morreu nos ataques

O governo do Irã e a sua mídia estatal confirmou a morte do aiatolá Ali Khamenei ainda no sábado. A morte foi divulgada pela agência Fars em seu perfil no Telegram. “O líder supremo da Revolução foi martirizado”, diz a publicação.

O gabinete de governo declarou 40 dias de luto nacional e 7 dias de feriado geral.

“É com profundo pesar e consternação que informamos que, após o ataque brutal do governo criminoso dos Estados Unidos e do regime abjeto sionista, o modelo de fé, luta e resistência, o líder supremo da Revolução Islâmica, sua eminência o grande aiatolá Ali Khamenei, alcançou a grande graça do martírio”, diz o texto.

Segundo a agência estatal, Khamenei foi morto em seu local de trabalho na manhã deste sábado, enquanto cumpria os seus deveres no escritório.

“Os meios de comunicação ligados ao regime sionista e à reação regional alegaram repetidamente que, por medo de assassinato, o Líder da Revolução vivia em um local seguro e escondido. Seu martírio em seu local de trabalho provou, mais uma vez, a falsidade dessas alegações e da guerra psicológica do inimigo”, completa a nota.

Irã anuncia líder supremo interino

O aiatolá Alireza Arafi foi eleito o líder supremo interino do Irã neste domingo, um dia após a morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, informaram agências estatais iranianas.

Arafi ficará à frente do país e foi eleito o chefe do Conselho interino de liderança iraniano, com a tarefa de comandar o processo de escolha de um novo líder supremo.

O conselho interino, que também incluirá o presidente e o chefe do Judiciário, conduzirá o país até que a Assembleia dos Peritos “eleja um líder permanente o mais rápido possível”.

Presidente do Irã diz que morte de Khamenei é ‘declaração de guerra

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou neste domingo (1º) que a morte do líder supremo Ali Khamenei é uma “declaração de guerra contra os muçulmanos” e falou em “vingança legítima” contra os Estados Unidos e Israel.

“O assassinato do grande comandante da comunidade islâmica é uma guerra aberta contra os muçulmanos, especialmente os xiitas em todas as partes do mundo. (…) A República Islâmica do Irã considera a vingança e a responsabilização dos autores e mandantes deste crime um dever e um direito legítimo”, afirmou Pezeshkian em pronunciamento oficial lamentando a morte de Khamenei.

 

Pouco antes do pronunciamento de Pezeshkian, a agência estatal iraniana Isna afirmou que o presidente iraniano está saudável e em segurança.

Chefes militares iranianos também morreram

Além do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, chefes militares do país também morreram em bombardeios atribuídos aos Estados Unidos e a Israel, segundo informou a mídia estatal iraniana neste domingo.

De acordo com a TV estatal e agências oficiais, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Abdolrahim Mousavi, e o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh, foram mortos em um ataque aéreo enquanto participavam de uma reunião do Conselho de Defesa, no sábado.

As autoridades persas também relataram a morte do comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, e de Ali Shamkhani, ligado ao Conselho de Defesa.

Trump diz que ‘concordou em conversar’

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse à revista “The Atlantic” neste domingo (1º) que a nova liderança iraniana quer retomar as negociações e que ele concordou em dialogar.

“Eles querem conversar, e eu concordei em conversar, então vou falar com eles. Deveriam ter feito isso antes. Deveriam ter oferecido algo que era muito prático e fácil de fazer antes. Esperaram demais”, disse Trump.

 

Apesar disso, o republicano não quis detalhar quando deve ocorrer a conversa com representantes iranianos. Ao ser questionado se o contato aconteceria hoje ou amanhã, respondeu: “Não posso dizer isso”.

Segundo a publicação, Trump afirmou ainda que parte dos negociadores iranianos envolvidos nas tratativas recentes morreu nos ataques.

“A maioria dessas pessoas se foi. Algumas das pessoas com quem estávamos lidando se foram, porque aquilo foi um grande — foi um grande golpe”, declarou.

O presidente americano ainda disse acreditar na possibilidade de uma mudança interna no Irã.

O que disse o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que o “Irã não deve ter permissão para se armar com armas nucleares” e que a ofensiva “criará as condições para que o povo iraniano tome as rédeas do próprio destino”.

“Chegou a hora de todos os setores da população do Irã removerem o jugo da tirania (do regime) e construírem um Irã livre e pacífico”, disse Netanyahu em comunicado.

O que disse o Ministério das Relações Exteriores do Irã

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que o país é alvo de uma “agressão militar criminosa” que coloca em risco a paz mundial e pediu providências à ONU.

“Neste momento, o povo do Irã se orgulha de ter feito tudo o que era necessário para evitar a guerra. Agora é tempo de defender a pátria e enfrentar a agressão militar do inimigo”, diz a nota.

 

“Assim como estávamos preparados para negociar, estamos ainda mais preparados do que nunca para defender a integridade do Irã. As Forças Armadas da República Islâmica do Irã responderão aos agressores com firmeza.”

Países do Golfo se reúnem neste domingo

Países do Golfo (Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã) se reunirão na noite deste domingo (1º) para discutir uma resposta unificada aos ataques do Irã. A informação é das agências de notícias AFP e Reuters.

A reunião ocorre em meio ao segundo dia Teerã prossegue com um segundo dia de bombardeios após ataques dos EUA e de Israel.

“Será uma reunião on-line dos ministros das relações exteriores do CCG (Conselho de Cooperação do Golfo) devido ao fechamento dos aeroportos”, disse um diplomata do Golfo à AFP. Ele afirmou que as discussões girarão em torno dos “ataques iranianos aos estados do Golfo e a coordenação de uma resposta unificada”.

Quem são os aliados de EUA e Irã no Oriente Médio

 

Os ataques de EUA e Israel ao Irã são mais um capítulo no cenário geopolítico do Oriente Médio. A região, uma das mais conflituosas do mundo desde meados do século XX, também concentra diversas bases militares norte-americanas.

Veja abaixo os principais aliados dos EUA e do Irã na região:

Aliados dos EUA

  • Israel: é o principal aliado dos EUA no Oriente Médio, recebendo armamentos e compartilhando inteligência e tecnologia militar.
  • Arábia Saudita: Riad mantém laços estreitos com o Ocidente e com os EUA há décadas, apesar de divergências pontuais que nunca escalaram para conflito aberto. Como principal potência sunita da região e guardiã de Meca, cidade sagrada do Islã, o país mantém rivalidade com o Irã, de maioria xiita.
  • Emirados Árabes Unidos: o país da Península Arábica mantém forte cooperação militar e econômica com os EUA.
  • Jordânia: a monarquia da família Hashemita é tradicional aliada das potências ocidentais, assim como a família Saud, da Arábia Saudita.
  • Bahrein: aliado da Arábia Saudita e dos EUA, que mantêm no país insular do Golfo Pérsico a sede da Quinta Frota.
  • Kuwait: é aliado estratégico dos EUA no Golfo Pérsico. Os americanos defenderam o país quando foi invadido pelo regime de Saddam Hussein, do Iraque, em 1990. Desde então, mantêm parcerias em acordos de defesa.
  • Egito: embora não se alinhe automaticamente aos EUA em todas as questões regionais, o governo do Cairo recebe ajuda militar americana desde os anos 1970, quando reconheceu Israel e se aproximou do Ocidente para recuperar o controle da Península do Sinai, ocupada por Tel Aviv em 1967. Atualmente, busca atuar como mediador de conflitos.
  • Síria: o país era um dos principais aliados do Irã durante o regime de Bashar al-Assad, cuja família pertence a um ramo da minoria xiita local. Após a queda de Assad, o presidente interino, Ahmed Al-Sharaa, ex-integrante da Al-Qaeda local, busca aproximação com Trump e com Israel. Apesar da desconfiança ocidental, ele manteve o espaço aéreo aberto para ataques israelenses ao Irã durante o conflito de junho de 2025.

 

Aliados do Irã

  • Iêmen (houthis): o país é amplamente controlado pelos houthis, grupo xiita que tomou a capital, Sanaa. O regime não tem amplo reconhecimento internacional. Os houthis recebem apoio militar de Teerã e realizam ataques ocasionais contra Israel.
  • Hezbollah: o grupo extremista é um partido libanês xiita com milícia própria que atua como força paramilitar. Embora o Líbano permaneça formalmente neutro, o Hezbollah mantém forte aliança com Teerã. O grupo foi enfraquecido em 2024 após ataques israelenses e a morte de seu líder, Hasan Nasrallah.
  • Hamas: um dos raros aliados sunitas do Irã. Tanto o Hamas, ligado à Irmandade Muçulmana, quanto os aiatolás compartilham oposição ao Estado de Israel.
  • Paquistão: não integra o Oriente Médio, mas faz fronteira com o Irã e costuma se alinhar a Teerã quando o país é atacado ou ameaçado.

Relembre a onda de protestos que tomou o Irã

Os protestos no Irã começaram diante da insatisfação popular com a situação econômica do país. A moeda local sofreu forte desvalorização, enquanto o custo de vida aumentava.

O Irã enfrenta dificuldades econômicas há anos, principalmente após a reimposição de sanções pelos EUA e outros países. A medida foi adotada em 2018, quando Trump deixou o acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano.

Os primeiros registros dos protestos ocorreram em 28 de dezembro, quando comerciantes iranianos iniciaram greve e fecharam lojas em reação à situação econômica.

Fonte: G1

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *