Do lado esquerdo, escultura vencedora do prêmio. À direita, André Renan trabalhando em peça de cerâmica — Foto: Arquivo pessoal/cedidas
Do lado esquerdo, escultura vencedora do prêmio. À direita, André Renan trabalhando em peça de cerâmica — Foto: Arquivo pessoal/cedidas

O mar de Pipa, em Tibau do Sul, no litoral sul do Rio Grande do Norte, é uma das principais inspirações do ceramista André Renan, de 42 anos, que mora na região e ganhou um prêmio nacional nessa quinta-feira (22).

O artista ficou com a primeira colocação do 5ª Salão Ceramistas do Brasil com a escultura “Resgate nas Profundezas”, que representa um escafandro com um polvo sobre ele. A mostra reuniu trabalhos de várias partes do país.

Morando há 16 anos em Pipa, André conta que a relação com o mar e com a natureza da região impactou sua vida e passou a influenciar seu trabalho.

“Eu comecei a ter muito essa inspiração aqui da natureza, da fauna aqui da região, da cultura, da pesca, do mar mesmo, porque eu vim do interior, onde não havia isso. Essa mudança pra mim foi muito drástica”, explicou.

Natural de Ourinhos, no interior de São Paulo, André Renan se formou em Artes Plásticas, com habilitação em escultura, pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná, em Curitiba, em 2007. Depois, trabalhou no Instituto de Arte Cerâmica, em São Paulo, antes de se mudar para Pipa em 2009.

No Rio Grande do Norte, ele desenvolveu trabalhos como professor, fotógrafo, criou uma revista e teve uma sociedade em uma empresa de publicidade.

Durante a pandemia, em 2021, ele decidiu investir integralmente na carreira artística. Fundou, junto com a esposa, a Aratu Cerâmica.

“A gente vendeu uma sociedade que tinha de publicidade e investiu tudo na minha carreira de formação acadêmica mesmo, que seria a escultura. A gente comprou forno, matéria-prima e começou a produzir essa cerâmica de alta temperatura aqui”, disse.

Embora a empresa seja focada em peças utilitárias como pratos, copos, jarras e outros materiais que contam com o trabalho artístico de André, ele concilia o tempo com a produção de esculturas, que também são vendidas.

“Mesmo dentro dos utilitários, a gente consegue colocar uma visão mais artística, anexando a escultura junto. Uma garrafa que vira uma jarra com um cavalo-marinho servindo de alça, por exemplo”, explicou.

Escultura representa trabalho pioneiro

O escafandro premiado foi o segundo produzido pelo artista. Ambos já foram vendidos para um mesmo colecionador. Ele considera que as peças representam um trabalho autoral e pioneiro.

“Esse estilo que eu comecei a fazer, que são os escafandros, eu acho que ele tá sendo bem único e pioneiro. Isso que é legal”, afirmou.

Segundo André, a escultura é oca e exige um processo complexo de produção. “Essa peça é feita com uma técnica mista. Ela é feita de cobrinhas, que é a técnica do acordelado. Eu vou modelando cobrinha por cobrinha até encontrar o formato do escafandro. Depois, os outros detalhes são todos feitos à mão, sem molde, sem nada”, explicou.

As peças são queimadas a 1.240 graus. A matéria prima é uma massa preparada com misturas de minerais para dar resistência e impermeabilização às peças.

Premiação

Sobre a premiação, André destacou o reconhecimento profissional como o principal ganho no salão nacional. O artista disse que decidiu se inscrever no salão após incentivo de clientes e visitantes da loja-ateliê que mantém em Pipa.

“Muita gente passava por ali e comentava que nosso trabalho deveria estar em feiras e salões. A gente sabia que existia esse salão, que é a nível nacional, com jurados bem técnicos. Então resolvi fazer a inscrição pela internet”, contou.

As peças de André Renan são vendidas na loja em Pipa, para turistas brasileiros e estrangeiros, e também pela internet.

Fonte: G1RN

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