ÁGUAS DE FEVEREIRO –
Quando adolescente eu escutava repetidas vezes duas músicas: Dia branco, de Geraldo Azevedo, e Canteiros, de Fagner. Dia branco me prometia o sol. Que delícia de promessa! Fagner me apresentou a Águas de março, um trechinho dela dentro de Canteiros. Eu amava o ritmar das palavras: é pau, é pedra, é o fim do caminho…
Assim, seguia pensando nas águas de março fechando o verão…
Entretanto, algumas décadas depois, aqui estou eu pensando em como as águas de março se anteciparam.
Em pleno fevereiro tivemos chuvas absurdas na cidade do sol.
Enquanto olhava pela janela aquela água descendo com tanta vontade, pensava nas promessas de vida no meu coração.
A chuva deixa o dia cinza. O cinza carrega uma tristeza incômoda. Mas as promessas no coração…
Ah…
Essas são carregadas de esperança…
Bárbara Seabra – Cirurgiã-dentista, Autora de “O diário de uma gordinha” e Escritora
