AÇUCAREIRO –
Antigamente, nas padarias da cidade, tínhamos açucareiros em cada mesa. Concordo que nem sempre as colheres estavam nos seus melhores dias. Algumas vezes pareciam um pirulito de tanto açúcar grudado. É como se cada cliente afogasse a colher em seu café e depois colocasse de volta ao açucareiro. Iam se formando camadas e mais camadas compactas de açúcar.
Higiênico? Não! Longe disso!
Acredito que foi por isso que os açucareiros foram substituídos pelos saquinhos de açúcar. Não só nas padarias, mas também nas cafeterias e docerias.
Saquinhos de açúcar cristal, de açúcar mascavo, de demerara, de adoçante, de sal, de ketchup, de maionese…
Muitos saquinhos!
Alguns com frases inspiradoras no verso, alguns mais simples.
Virou um hábito tirar todos os saquinhos para ler as frases motivacionais. E organizar de volta no potinho, claro!
Foi então…
Foi então que chegou a ideia ABSURDA de não deixarem mais o açúcar nem o adoçante nas mesas.
Agora os funcionários deixam o café pedido e saem em silêncio, de mansinho, enquanto os humanos que não conseguem se habituar ao café puro se desesperam pedindo um pouco de compaixão em saquinhos, seja de açúcar seja de adoçante. Num passado não tão distante, café puro significava sem leite, mas agora o puro é puro MESMO, sem nada que o adoce!
Uma determinada franquia nos shoppings começou a reclamar quando pedíamos dois saquinhos de açúcar para nossos cafés. Deixamos de ir lá, após mais de dez anos frequentando todo fim-de-semana. Não entra na minha cabeça que ao pagar o valor do café eu tenha que implorar um pacote de adoçante.
Será que foi por furto de saquinhos?
Será uma campanha de prevenção de cáries?
Será que foi para ajudar na saúde dos clientes?
Será que é apenas por economia?
Não sei responder, mas sei deixar minha indignação aqui.
Quero os saquinhos de volta às mesas. Flávio quer os açucareiros.
Eu não chego tão longe.
Bárbara Seabra – Cirurgiã-dentista, autora de “O diário de uma gordinha” e Escritora
