Nunca pensei que neste mundo, criado por Deus, houvesse tanto ódio enrustido, tanta falsidade e tanto fingimento. O ser humano se contaminou de ódio e da volúpia da destruição. Uma força satânica tenta destruir a humanidade.
A religião não consegue frear a maldade que o ser humano esconde na alma. Pessoas que só transparecem bondade, de repente expelem ódio e vomitam terríveis infâmias sobre seres humanos quase mortos, sem compaixão e desprovidas do sentimento de caridade.
Conheci pessoas que não exibiam religião, mas guardavam dentro de si o sentimento da caridade, e praticavam o bem, sendo incapazes de levantar uma infâmia contra alguém.
Não é o fato de alguém se dizer religioso que influi na bondade humana. Há muitos “jazigos caiados” que se confundem na multidão.
Há muita gente que estufa o peito e se diz humano e caridoso, enquanto é capaz de vomitar infâmias sobre um moribundo que se encontra em leito de morte.
Pelo que tenho visto e ouvido, Cristo continua sendo crucificado todos os dias. Parece que o espírito do mal atua entre os políticos, que adoram o dinheiro.
Nunca pensei que Cristo continuasse diariamente morrendo na cruz, ofendido e humilhado, sendo crucificado todos os dias, e constantemente condenado à morte. Não imaginava que a humanidade fosse tão sádica, tão má e tão perversa.
O sentimento da caridade nos era pregado pela minha querida mãe, todos os dias. Antes de tudo, dizia ela, que devemos ter caridade para com os nossos semelhantes. Infelizmente, nos dias atuais, esse sentimento desapareceu. É difícil, nos dias atuais, se encontrar pessoas caridosas e solidárias. A vaidade impera, a loucura pelo dinheiro é imensa, e o flagelo dos desvalidos não é visto pelos pobres de espírito.
A humanidade tornou-se indiferente ao sofrimento humano. Torce sempre pela Paixão de Cristo e não quer ver ninguém bem. Quando mais rico o homem, mais indiferente ao seu semelhante.
A humanidade torce sempre pela paixão de Cristo, e os maus se deliciam sempre com as dores dos outros.
Os abutres negros e emplumados disputam suas presas, com a ânsia louca de vê-las destruídas.
A volúpia da destruição é inerente a eles.
Violante Pimentel – Escritor
