A PRESSA DA VIDA: QUANDO A CORRERIA NOS FAZ PERDER O SENTIDO –

Ao refletir sobre a existência, uma questão simples, mas relevante, surge: por que temos tanta pressa, se o futuro traz a saudade do que deixamos para trás? Estamos em uma era caracterizada pela necessidade de agir imediatamente, pela incessante busca por conquistas e progresso. Aceleramos como se o dia seguinte fosse sempre mais promissor do que o presente.

Essa urgência muitas vezes resulta da ilusão de que o que vem adiante possui as respostas que buscamos, a felicidade total ou um descanso eterno. Contudo, com o tempo, aprendemos que, ao relembrar, o que sentimos não é alívio por nossa correria, mas saudade dos instantes que vivemos sem pressa: dos diálogos simples, dos encontros informais, dos dias normais que, sem aviso prévio, se tornaram memoráveis.

O paradoxo da vida reside exatamente aqui. Enquanto apressamos nossos passos rumo ao amanhã, deixamos escapar o hoje e, é esse hoje que, no futuro, sentiremos falta. Portanto, desacelerar não significa perder tempo; é valorizar o tempo que possuímos. É optar por estar presente em vez de viver na ansiedade, e dar importância ao que realmente significa, não apenas à produtividade superficial.

A vida não requer pressa. Ela anseia por significado. E esse significado é elaborado quando aprendemos a viver intensamente o presente, para que o passado, ao se transformar em saudade, seja recordado com apreço, e não com arrependimento.

Natal, 13 de fevereiro de 2026.

 

 

 

 

Raimundo Mendes Alves –  Advogado, Procurador Aposentado, Vereador em São Gonçalo do Amarante – RN

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