José Narcelio Marques Sousa

Eu passei o Carnaval, e mais alguns dias após a festa de Momo, debruçado sobre um calhamaço de 1.212 páginas do segundo volume da biografia de Frank Sinatra, escrita pelo jornalista James Kaplan, editada pela Companhia das Letras.

Realmente, um exercício fascinante, se considerado o método que empreguei para a leitura de Sinatra – o Chefão. Caneta marca-texto na mão e o Google ao lado, assinalando canções e vídeos de maior interesse, para ouvi-las e assisti-los à medida que me deleitava com cada capítulo do livro.

Sinatra foi um dos personagens centrais da cultura popular do século XX. Um ítalo-americano endeusado por mulheres e invejado por homens dos cinco continentes. A Voz, Olhos Azuis ou apenas Frankie, embeveceu fãs e embalou casais enamorados com a força e a beleza de suas interpretações.

Gente, ele viveu cada dia como se fosse o último, dependente da presença de amigos e administrando seus medos e inseguranças. Muitas das beldades que gravitaram na sua atratividade, ele as transformou em amantes. Que o digam Judy Garland, Natalie Wood, Anita Ekberg, Marilyn Monroe, Glória Vanderbild, Lana Turner, Kim Novak, Lauren Bacall, Juliet Prowse, Angie Dicknson, Jill St. John, Rhonda Fleming, ufa!… E tantas outras a perder de vista.

Em 25 de março de 1954, ao subir ao palco do RKO Pantages Theatre, em Hoolywood, para receber o Oscar de melhor ator-coadjuvante pela participação no filme A um passo da eternidade, Sinatra deu a maior volta por cima de toda a história do show business. Deixara para trás as adversidades decorrentes dos excessos cometidos nos quinze primeiros anos de profissão, que quase destruíram sua carreira. Desacertos esses, culminando com o abandono da família por causa de Ava Gardner.

Foi amigo de mafiosos, fraternizou com celebridades e homens de estado, e viu aclamado pelo público e pela crítica, o trabalho dos 44 anos restantes de sua vida. Casou quatro vezes: com Nancy Barbato, com quem teve três filhos; com Ava Gardner, a mais tumultuada das relações; com Mia Farrow, de rápida duração; e, Barbara Marx, com quem terminou seus dias.

Sinatra ganhou 31 discos de ouro, 18 de platina e 9  Grammy. Gravou 1.800 canções e vendeu mais de 500 milhões de discos. Apareceu em 62 filmes.

No Brasil, em 1980, ele fez um show histórico no Maracanã, onde reuniu mais de 170 mil pessoas, entrando para o Livro Guiness de Records. Surpreendeu-se ao ver o público cantar com ele Strangers in the night. Ele estava tão feliz, que nem o ‘Beijoqueiro’, ao lhe agarrar, conseguiu acender o seu pavio curto.

Suas palavras naquela noite sensibilizaram os brasileiros: “Senhoras e senhores, quero que saibam de uma coisa: este é o maior momento da minha carreira como cantor profissional. Nunca antes experimentei algo parecido. Nunca!”.

A Voz calou em 1988, no dia 14 de maio, aos 82 anos de idade. Foi sepultado no Deserte Memorial Park, no Condado de Reverside, Califórnia. No seu epitáfio lê-se uma promessa: “O melhor está por vir”.

Sua vida tumultuada já rendeu matéria para doze biografias. Pudera. Isso ele previra: “Só se vive uma vez e, do jeito que eu vivo, uma vez é suficiente!”.

A razão do seu sucesso? Entendo que esta declaração resume tudo: “Se você quer uma plateia ao seu lado, só existe um jeito. Você precisa chegar até ela com humildade e com uma honestidade total. Isso é um ponto fundamental da minha parte; descobri que, se você não chega até a plateia, nada existe”.

Que maravilha!

José Narcelio Marques SousaEscritor e engenheiro civil

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