O prefeito Carlos Eduardo Alves parece ter encontrado o mote para a glosa que precisa fazer na campanha do ano que vem em busca de sua reeleição: o apelo ao caráter austero de sua gestão no trato da coisa pública, isentando-a de denúncias. Não declarou de fato, mas esse sentido ficou das palavras. Ninguém é ingênuo a ponto de não perceber que a corrupção, direta ou indiretamente, será o prato de resistência do cardápio do marketing eleitoral a ser servido à mesa dos embates de 2016.

Não é fácil ser PT a partir de agora, depois das denúncias do Caso Petrolão, mas como medir a reação do eleitorado nordestino numa cidade como Natal, onde a presidente Dilma foi reeleita com a mais ampla votação? Teria sido a força do Bolsa-família numa capital que, mesmo essencialmente urbana, sofre a influência dos municípios que lhe cercam a geografia? Ou é mais lógico admitir que o voto natalense precisa ser conquistado por ser aquele que pune acordões mesmo fortes e poderosos?

Depois de sofrer uma derrota quando achou que reunindo os caciques em Brasília em torno da candidatura Fátima Bezerra a faria sua sucessora, o prefeito Carlos Eduardo acabou o maior beneficiado do fracasso micarlista. E, a exemplo da eleição anterior, ao lado de Wilma e sem o apoio da família, voltou ao Palácio Felipe Camarão, desta vez com a força familiar declaradamente contra e disposta a cassá-lo por sacar R$ 40 milhões da previdência municipal e completar a folha de pessoal.

Dois anos depois de eleito, e de vencer o candidato petista Fernando Mineiro e o pemedebista Hermano Morais, Carlos Eduardo deu as costas a Robinson Faria e Fátima Bezerra, mas nem assim deixou de vê-los bem eleitos em Natal e no Estado. Sua posição não espelhou, pelo menos no mapa eleitoral, uma influência sua determinante, contra ou a favor. Nem mesmo favorável àqueles que tanto apoiou, como a seu pai, Agnelo Alves; e ao seu candidato a deputado federal, Sávio Hackradt.

Realizador de vistosas construções físicas em razão das obras de mobilização da Copa, graças ao gesto do primo Henrique Alves que então presidia a Câmara Federal, seu desafio não será menor a partir de agora. Este não é um ano promissor para grandes verbas federais com o contingenciamento de um terço do orçamento da União, torneiras fechadas pelo ministro Joaquim Levy. E não tem mais os primos no Planalto – um ministro e outro presidente da Câmara – fazendo um bom meio de campo.

De um lado, e apesar da boa imagem, Carlos Eduardo volta como candidato da oligarquia Alves, mesmo que não tenha perdido as qualidades de administrador. Do outro, o petista Fernando Mineiro levando nos ombros o desgaste do PT envolvido em grandes denúncias de corrupção. Uma balança que terá um fiel a ser observado: o Governo Robinson que o PT ajudou a eleger, e hoje ao lado governa e pretende vencer em Natal. É o que pode fazer a diferença. Para mais ou para menos.

Vicente Serejo – jornalista e escritor

Ponto de Vista

Recent Posts

COTAÇÕES DO DIA

  DÓLAR COMERCIAL: R$ 5,1440 DÓLAR TURISMO: R$ 5,3450 EURO: R$ 6,0900 LIBRA: R$ 7,0240…

3 dias ago

Justiça condena hotel por não reembolsar cliente que cancelou viagem por urgência médica da mãe

O 2º Juizado Especial Cível de Natal condenou uma plataforma digital de viagens e uma…

3 dias ago

PONTO DE VISTA ESPORTE – Leila de Melo

  1- Os ingressos para ABC x Uberlândia, pelo jogo de volta das semifinais da Série…

3 dias ago

TRE-RN define tempo de TV dos candidatos a governador; veja o tempo de cada um

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN) definiu nesta sexta-feira (21) quanto tempo cada candidato a governador…

3 dias ago

Mutirão de Aprendizagem oferece qualificação profissional para jovens em Natal; veja quem pode participar

O Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN) realiza, no dia 31 de agosto, o…

3 dias ago

Dia D de Multivacinação acontece neste sábado (22) em Natal; veja onde se vacinar

O Dia D da Campanha Nacional de Multivacinação 2026 acontece neste sábado (22) em Natal. A…

3 dias ago

This website uses cookies.