Parece coisa de futebol. Flamengo versus Fluminense. Santos versus Corinthians. A semelhança é grande. Os jogadores são intercambiáveis. Só que, em Governo versus Oposição, você praticamente não nota a diferença entre eles. Todos calçam quarenta. Há algumas exceções, claro, para confirmar a regra. Um retrato triste dessa real semelhança ficou patente nessa briga mal educada entre o presidente do senado e o chamado líder da oposição. Em campo, há brigas, mas raramente com essa virulência.

A evidência da falência do governo e a derrocada da oposição são gritantes. Se, por um lado, aquele naufraga na mesmice da corrupção e incompetência, este se comporta de forma pífia e tão incompetente quanto. Chega-se facilmente a uma conclusão: estamos mal, muito mal, e piorando a cada nova ação do governo e reação da oposição, e vice versa.

Aonde vamos parar? Só Deus sabe. Mas dá para desconfiar. No brejo. De outra coisa podemos desconfiar. Se Deus já foi brasileiro um dia, cansou. Nem água manda mais. Ter tempo para prestar atenção à nossa incapacidade, acho que já não tem. Deve ter concluído ser inútil procurar nos ajudar, ou corrigir. E, tendo adquirido outra nacionalidade, fez o que muitos gostariam de fazer. Acho que desistiu mesmo foi da America Latina. É só olhar para a Venezuela e a Argentina, por exemplo.

Todos os dias somos premiados por decisões incompetentes. E não é de hoje. Há tempos é assim. E estamos a pagar preços altíssimos por isso. Chover no molhado (força de expressão, hoje não chove nem no seco), é comentar que os preços disparam, as promessas foram enganações, as decisões são incompetentes. Tudo isso é visível, e sentido, na inflação que nos atazana. Dizer que há insegurança, pouca saúde e escolas ruins é repetir mais do mesmo. E que estamos caminhando para um crescimento mixuruca da economia é não afirmar novidade. Apenas repetir a evidência. E ficam a brigar como colegiais. Exagero, nem colegiais brigam mais assim.

Lembrei-me de um estória contada por meu avô. Um amigo íntimo, pequeno comerciante como ele, morador da mesma Rua da Palha, que teve o nome mudado para Vigário Bartolomeu (mania de mudar o nome das coisas, subdesenvolvimento extremo), estava muito doente. Meu avô foi visitá-lo, em casa. Naqueles tempos você morria em casa e dispensava a morte melhorada, e cara, nos hospitais. Meu avô lamentou o estado do amigo, fez votos de retorno à saúde, e procurou encorajá-lo. Mas, o doente, um realista, sabia de sua condição. – “Mello, não se preocupe. Sei que estou no fim, mas tenho um consolo, quando penso que vou ficar livre do ministério do Trabalho”… Recém criado por Getúlio, já infernizava a vida dos pequenos empresários.

 Não que esteja a acreditar em melhoria apenas após a morte – o que pode ser ou não ser, ninguém sabe -, mas apenas para mostrar o desalento semelhante que toda essas mentiras e falsas esperanças nos causa.

 Dalton Mello de Andrade – Ex- Secretario de Educação do RN e Pro Reitor da UFRN

Ponto de Vista

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