O corpo da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, foi identificado pela Polícia Científica de Goiás (PCI-GO) nessa terça-feira (3) por meio de DNA extraído dos dentes. Daiane estava desaparecida havia mais de 40 dias, em Caldas Novas, na região sul de Goiás, e foi encontrada em estado avançado de decomposição.
O síndico do prédio onde a corretora morava, que confessou o crime, continua preso. Em nota ao g1, a defesa de Cleber Rosa de Oliveira informou que ele está contribuindo com as investigações.
O método de identificação foi realizado pelo Laboratório de Biologia e DNA Forense. Segundo a polícia, o resultado será enviado ao Instituto Médico Legal Aristoclides Teixeiras (IML), em Goiânia, que deve providenciar a liberação do corpo para a família.
Após confessar ter matado Daiane, Cleber levou a polícia a uma região de mata, às margens da GO-213, a cerca de 15 km de Caldas Novas, onde o corpo dela foi localizado na quarta-feira (28). De acordo com a polícia, ele é investigado por homicídio e ocultação de cadáver.
Além do síndico, o filho dele, Maicon Douglas Souza de Oliveira, também foi preso suspeito de atrapalhar as investigações. Ao g1, os advogados do investigado informaram que ele não possui qualquer envolvimento, direto ou indireto, com o crime.
Daiane Alves foi vista pela última vez com vida no dia 17 de dezembro, quando desceu até o subsolo do prédio onde morava para religar o padrão de energia do seu apartamento, que havia sido desligado. Imagens de câmeras de segurança mostram a corretora dentro do elevador por volta das 19h.
Em depoimento à polícia, o síndico relatou que encontrou a corretora no subsolo e iniciariam uma discussão acalorada, momento em que ele a matou. De acordo com a investigação, o local onde ficam os disjuntores de energia é um ponto cego das câmeras de segurança. Cleber teria matado Daiane e usado as escadas para não ser filmado.
Segundo o delegado André Luiz Barbosa, Daiane pode ter sido morta em um intervalo de 8 minutos, pois uma testemunha desceu até o subsolo às 19h08 e afirmou não ter presenciado qualquer crime.
O síndico contou ainda que saiu sozinho do condomínio, dirigindo a sua picape, após colocar o corpo de Daiane na carroceria. Imagens de câmeras de segurança mostram ele saindo do prédio por volta das 20h do dia do desaparecimento.
O corpo da corretora estava com uma bala alojada na cabeça. De acordo com o advogado de Cleber, ele confessou ter usado uma arma de fogo no crime. No entanto, a causa da morte da vítima só será confirmada com a conclusão do laudo da perícia.
O delegado André Luiz Barbosa explicou que a motivação do crime pode ter sido os conflitos entre Daiane e Cleber, envolvendo principalmente a administração de seis apartamentos no prédio onde a corretora desapareceu. Os dois tinham um histórico de conflitos, incluindo 12 processos na Justiça.
Em áudio, o síndico chegou a afirmar que a corretora estava proibida de atuar com locações no prédio. Na gravação, Cleber comunicou que a recepção não prestaria mais nenhum tipo de atendimento a Daiane.
“Eu não vou voltar atrás dessa decisão minha, ela está proibida. A recepção não vai prestar serviço, atendimento a ela, não vai entregar ficha, não vai fazer nada. Então, a Daiane não pode mais trabalhar com administração de apartamentos aqui”, afimou.
Antes de desaparecer, Daiane chegou a enviar um e-mail ao 2º Juizado Especial Cível e Criminal de Caldas Novas relatando que sofria ofensas e ameaças. No documento, ela afirmou ter medo pela própria vida e pediu medidas de proteção.
O escritório Nestor Távora e Laudelina Inácio Advocacia Associada, representando os interesses do Sr. Cleber Rosa de Oliveira, vem informar que a defesa técnica aguarda o fim das investigações, de modo que não se manifestará sobre as circunstâncias e demais elementos do caso até a conclusão do inquérito policial. Todavia, reitera que o Sr. Cleber permanece colaborando com a Autoridade Policial.
Na qualidade de defensores constituídos de Maicon Douglas Souza de Oliveira, os advogados subscritos vêm a público esclarecer os fatos relativos à sua prisão temporária, ocorrida no âmbito das investigações que apuram o falecimento de Daiane Alves. Inicialmente, é imperativo destacar que Maicon Douglas não possui qualquer envolvimento, direto ou indireto, com o crime em questão, cuja autoria já foi confessada exclusivamente por seu genitor, Cleber Rosa de Oliveira, em ato que não contou com o auxílio ou prévia ciência de Maicon.
Na data de ontem (29/01/26), Maicon foi submetido à audiência de custódia e, posteriormente, prestou depoimento perante a autoridade policial. Durante o interrogatório, o investigado respondeu a todos os questionamentos de forma transparente e satisfatória, colaborando ativamente com a elucidação dos fatos e negando veementemente qualquer participação no trágico evento.
A defesa técnica reitera sua confiança no Poder Judiciário e informa que já está adotando todas as medidas processuais cabíveis para restabelecer a liberdade de Maicon Douglas o mais breve possível, garantindo o respeito às garantias constitucionais e à verdade real.
Fonte: G1
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