Um sargento da Polícia Militar e um empresário foram presos na última sexta-feira (20) suspeitos dos crimes de extorsão, usura (agiotagem) e associação criminosa. Os suspeitos não tiveram os nomes divulgados.
A ação contou com a participação de cerca de 70 policiais civis.
De acordo com a Polícia Civil, o empresário era um dos investigados na Operação Amicis, de 2025, que bloqueou mais de R$ 150 milhões dos envolvidos, e começou a ameaçar e coagir outras pessoas – incluindos outros denunciados na operação – para tentar diminuir o prejuízo financeiro dele.
As prisões ocorreram no município de São José de Mipibu, na Região Metropolitana de Natal, e no bairro Lagoa Nova, Zona Sul da capital.
Ao todo, a Polícia Civil cumpriu quatro mandados de busca e apreensão, além dos dois mandados de prisão na Operação Última Ceia.
Segundo Polícia Civil, a investigações apontam que o grupo atuava na cobrança violenta de dívidas oriundas de empréstimos informais.
Segundo a Civil, os criminosos impunham às vítimas não apenas o pagamento de valores supostamente devidos e juros abusivos, mas também a exigência de quantias adicionais relacionadas a alegados prejuízos financeiros decorrentes da “Operação Amicis”.
A Operação Amicis, de 2025, desfragmentou um esquema milionário envolvendo empresários, influenciadores e contadores, cumprindo 53 mandados de busca e apreensão em Natal e cidades da Região Metropolitana e mais de R$ 150 milhões foram bloqueados. O MP denunciou, no início de março, 16 pessoas por fraude nesse esquema.
No contexto dessas investigações, um dos investigados teve bens apreendidos por suspeita de envolvimento com associação criminosa e lavagem de dinheiro, passando, a partir de então, a tentar transferir esse suposto prejuízo às vítimas, mediante grave ameaça e coação, segundo a polícia.
O inquérito policial aponta que a atuação do grupo evoluiu para um “cenário de terror psicológico contínuo, com práticas reiteradas de intimidação”, segundo a Polícia Civil.
“As vítimas, algumas delas também alvos da ‘Operação Amicis’ na condição de investigados, passaram a ser monitoradas em sua rotina diária, inclusive com levantamento de informações sobre horários e deslocamentos de crianças e adolescentes, configurando grave violação à segurança familiar”, informou a polícia.
Segundo a políci, foram registrados ainda episódios de vigilância constante nas residências e nos condomínios das vítimas, com rondas frequentes e monitoramento nas proximidades.
Em uma das situações apuradas, foi deixado um bilhete ameaçador no sapato de uma das vítimas, reforçando o contexto de perseguição e intimidação sistemática.
No cumprimento de um dos mandados judiciais, a polícia encontrou um dos investigados, que se autointitulava como “escolhido de Jesus”, sentado à mesa do café da manhã na residência de uma das vítimas, sem qualquer autorização, “evidenciando a imposição de terror psicológico”.
Em dois endereços vinculados ao empresário, localizados no bairro Lagoa Nova, foram apreendidos valores em moeda nacional e estrangeira, incluindo aproximadamente:
Além disso, foram apreendidos cinco veículos. O material apreendido será analisado no curso das investigações, com o objetivo de aprofundar a apuração sobre a movimentação financeira do grupo criminoso.
Um dos investigados é sargento da Polícia Militar do Rio Grande do Norte e possui histórico de envolvimento em outros crimes. Ele não teve o nome divulgado.
Segundo a Polícia Civil, ele já havia sido preso durante uma operação de maio de 2024 por suspeita de participação em grupo de extermínio e homicídios, além de possuir registro anterior de prisão pelo crime de peculato, em razão da subtração de arma de fogo pertencente à corporação.
Na ação realizada nesta sexta-feira (20), o militar foi autuado em flagrante, desta vez pelo crime de posse ilegal de arma de fogo.
Fonte: G1RN
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