CRUCIFICAÇÃO NO IMPÉRIO ROMANO –

O jornalista Reinaldo José Lopes, especializado em biologia e arqueologia, autor da obra “1499: O Brasil Antes de Cabral”, acaba de publicar em recente edição do jornal Folha de São Paulo, sob o título “O escândalo da cruz”, artigo que inspira reflexão. Segundo o qual é necessário tremendo esforço de imaginação para no Século 21 alguém seja capaz de compreender plenamente o que significava ser crucificado 2 mil anos atrás.

Em primeiro lugar dos elementos simbólicos por trás do ato de dar cabo de uma pessoa precisamente daquele jeito, a respeito do que os milênios de cultura cristã, que transformaram a cruz em ícone ou mesmo adorno, teriam embotado a sensibilidade a de modo irremediável. Pois evidências arqueológicas sobre a prática da crucificação são raríssimas, o que é paradoxal diante das fontes da Antiguidade que mencionam ocasiões em que a prática foi aplicada a milhares ao mesmo tempo.

Apesar do que somente 2 esqueletos são conhecidos na atualidade de pessoas cuja morte na cruz pode ser demonstrada de forma cabal, cujas semelhanças ajudam a revelar parte do verdadeiro horror por trás dessa forma de execução. Sendo conhecido o nome de um deles como sendo Yehohanan bem Hagkol (João, filho de Agcol), de origem judaica, que morreu no Século 1° d.C., de quem foi encontrado um ossuário contendo seu nome e seus restos mortais, em Jerusalém, em 1968.

A segunda vítima, anônima, foi identificada no fim de 2021 numa escavação perto de Cambridge, no Reino Unido, também do sexo masculino, duplicado entre os Séculos 3° d.C. e 4° d.C. A pista-chave, nos dois casos, foi a presença de pregos nos ossos dos pés. A posição exata dos cravos, porém, é ainda mais reveladora, porque em ambas as vítimas os pregos atravessam o osso do calcanhar na horizontal. O que significa que, muito provavelmente, o certo é imaginá-los de pernas abertas, com um pé preso de casa lado da Barra vertical da cruz, e não com um pé apoiado sobre o outro, como na representação usual dos crucifixos e da arte sacra ocidental.

Além do que, os sentenciados estavam nus, sendo a tanga ou faixa de pano vista nas imagens de Cristo crucificado uma concessão ao pudor dos fiéis. Pois a intenção era expor ao máximo o corpo do crucificado, tanto ao escárnio público quanto a aves de rapina, as quais, de acordo com os relatos da época, vinham bicar tanto os genitais como os olhos.

 

 

Alcimar de Almeida Silva, Advogado, Economista, Consultor Fiscal e Tributário

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