CONVITE DESAFIADOR –

Nem a chuva insistente aquietou o amigo Alberto Da Hora, na manhã de uma quinta de maio deste ano II pandêmico. Como costumo silenciar o toque do smartphone para fugir do assédio das operadoras, não percebi o acúmulo das chamadas registradas. Será que era para notícia de perda de mais um amigo? Resolvi retornar o sonoro apelo, para aliviar a minha curiosidade e, quem sabe, a angústia do interlocutor.

“Amigo estou convidando você para escrever o prefácio do meu novo livro de crônicas. Amadureça a ideia e dê-me a resposta assim que puder.”

Fui tomado de surpresa, de ansiedade, de senso de responsabilidade, ao tempo que mentalmente me indagava: como escrever um prefácio, se nunca fui prefaciado e, qual o peso que as minhas palavras poderiam ser úteis e inspiradoras, para fazer com que os seus leitores “devorasse” o conteúdo de um mestre hábil em contar casos e fatos, do passado e do presente, com tamanha desenvoltura literária?

Como uma noiva que aguarda o chamado para firmar uma parceria, disse: SIM!

Tão logo o “sim” ecoou, dirigi-me aos livros que repousam na estante, para uma ‘conversa’ ao pé da orelha, e passei a reler uma dezena de prefácios, para entender a dimensão do desafio aceito.

Claro estava, que o prefácio de um livro é o cartão de visita que o autor precisa para compor a sua obra literária. Ao abrir na página que o contém, o leitor espera ser atraído pelas boas expectativas em relação ao conteúdo que desfilará nas páginas seguintes.

‘Prefácio’ significa em latim “dito (fatio) antes (prae)” e, isso, pressupõe que o mesmo possa evidenciar contornos e aguçar ideias que provoquem reflexões do leitor e chamamentos do autor para os fatos e motivos que o levaram a produzir a sua obra.

O prefaciador precisa se isentar de críticas e opiniões pessoais, e sim, que apresente, de forma sucinta, o conteúdo do livro a fim de alinhar as expectativas do leitor com a contextualização do texto principal.

O objetivo, enfim, do prefaciador é despertar a curiosidade. Essa tarefa me parece facilitada, pois quem já conhece as pérolas escritas pelo amigo, multicultural, Alberto Da Hora, certamente “desviará” os olhares do prefácio para ir direto às suas crônicas e histórias que enriquecem o nosso desejo de desfrutá-las em profusão.

Que venha o novo livro!

Desafio aceito.

 

 

 

 

 

 

Carlos Alberto Josuá Costa – Engenheiro Civil, escritor e Membro da Academia Macaibense de Letras (josuacosta@uol.com.br)

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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