COISAS QUE EU VI, OUVI OU VIVI: COISAS DAS PRAGAS – Antonio José Ferreira de Melo

COISAS QUE EU VI, OUVI OU VIVI: COISAS DAS PRAGAS –

PARA COMEÇAR

Desde as priscas eras, as pragas atormentam a humanidade.

Grandes ou pequenas, elas fazem parte da vida na terra, para complicá-la.

Quem já não ouviu falar nas 10 pragas do Egito, que foram enviadas por Deus?

Há de se perguntar: e é possível Deus mandar pragas contra o povo?

A resposta é sim, e é assim que está escrito no livro do Êxodo, da Bíblia, sobre as pragas que foram enviadas, por Deus, como pressão e castigo, para fazer o faraó libertar os escravos israelitas.

Para rememorar, éis-las:

1 – O rio Nilo e outras fontes de água tornaram-se sangue.

2 – Rãs invadiram casas, campos e cidades.

3 – O pó da terra transformou-se em insetos que atacaram pessoas e animais.

4 – Enxames de moscas infestaram o Egito.

5 – Uma doença matou grande parte do gado egípcio.

6 – Pessoas e animais foram atingidos por chagas dolorosas.

7 – Uma tempestade devastadora destruiu plantações e propriedades.

8 – Enormes enxames consumiram o que restava das colheitas.

9 – Uma escuridão intensa cobriu o Egito por três dias.

10 – Todos os primogênitos egípcios morreram, exceto nas casas dos israelitas marcadas com o sangue do cordeiro, evento que deu origem à celebração da Páscoa.

Vale, também, lembrar uma das pragas mais antigas, que foi a “praga de Justiniano”.

A sua causa, foi uma bactéria originada das pulgas, que eram transportadas pelos ratos infectados e se iniciou por volta de 541 d.C., perdurando por dois séculos e provocando a morte de 25 a 50 milhões de pessoas.

Não menos violenta foi a “peste negra”, que ocorreu 800 anos depois, e dizimou metade da Europa.

Recentemente, embora também tenha sido uma pandemia, tivemos o vírus da COVID, porém, cientificamente, não se enquadra na denominação de praga.

Outros vírus, “menos votados”, nos rondam com frequência, e como já são disponibilizadas vacinas específicas, não conseguem atingir grandes proporções.

Há poucos dias, vi e li na imprensa, que uma “praga de gafanhotos”, invadiu Meca em pleno mês sagrado do “ramadã”, sem que sua origem tenha sido creditada, pelos mulçumanos, a nenhum milagre, ou a mais um sinal profético de punição.

Como na vida tudo é passageiro, as pragas vêm e se vão.

Como Walde Faraj, gosta de dizer: “na vida, tudo passa. Até a uva-passa. ”

Graças a Deus.

EXPEDITO E A SUA PRAGA

Tarde da noite, mas ainda lendo algumas informações, para me aclarar a memória sobre os problemas das pragas, sou surpreendido com o toque do celular.

Olho para o visor e vejo: EXPEDITO.

Atendo, e ao perguntar pelas “novidades”, escuto ele dizer, que ligou para me falar que “tem fé no Senhor Jesus, que Alexandre Imoráis vai prá cadeia”.

E fala: Dotô, aquilo num é um homi. Aquilo é uma praga dos inferno.

Eu corto a sua conversa, e digo: Expedito, eu estou lendo, exatamente, sobre as pragas que atingiram o mundo.

Então, ele fala que tem dúvidas sobre pragas e pestes.

Eu lhe esclareço quanto as diferenças, uma vez que as pragas podem ser causadas por algum agente, como animais e plantas, enquanto as pestes são epidemias causadas por enfermidades contagiosas.

Ele se entusiasma e diz: hômi, entonces num pricisa ir muito longe não. É só imparticipar dus açunto das coisa de Zéfa, qui foi a maió praga qui eu já conheci.

Nem me deixa falar e já emenda em outras considerações sobre Zéfa, e diz: Dôtô, se alembra daquele açumto qui eu lhe falei, a uns quatro anus atráis, qui fala das coisa das trairage de Zéfa?

Expedito. Me lembro que, inicialmente, você estava feliz porque ela tinha ido embora da sua vida, mas depois, invés disso, ela lhe “botou na justiça”. É isso?

É isso mermo Dôtô, apois Zéfa é inconfiávi e aprovéitadêra.

Se alembra qui eu lhi falei, qui quando eu incontrei ela, ela dizia qui tava numa pió di dinhêro?

As vistimenta dela, meu Deus du Céu…

Táva cum umas carça velha, de brím, cum a bariga istufada, aparicêndo as bânha, e a brusa era daquelas “cum medo de pêido”.

Elas é curta, e quando as pessôa bóta prá dentro das carça, elas insiti im saí de novo.

Mermo tendo póces, Zéfa só fartava passá fome.

A históra foi acim: comu sabia das minha finança, ela deu im cima de mim, e eu caí na arapuca.

Daí prá frente, paçô a mim ixprorá e ficô de rabinho chêio.

Vevía cum meu dinhêrinho e só andava nus “trínque”. Era rôpa de butique e era cabilêrêra e maniscure, toda sumana.

Eu sôbe adespois, qui ela dizia prás amiga: agora, eu só tômo uisque “Ôldi Pá”.

Cumo é calótêra, prá fazê iço, mim pidiu muito dinhêro, comu si fôce imprestado.

O bêsta aqui, entrô nessa cunvelsa de imprésto, e se ferrô. Cada dia, esperava pur amanhã, qui ela prumitia pagá.

Foi paçando o tempo, e “nécas de pitibiriba” de pagamento.

Entonces, arresolví pará os imprésto, os póte cêcou, acabô-se o “incânto” e ela mim dêxô.

Aí, cumeçô a históra qui terminô mim incolocando na justícia, querendo arecebê mundos e fundos, dus meus bems qui iscapáro, e de rebóque, quiria inté a tá de pusentaduria, pru resto da vida.

Eu escuto calado, e penso comigo mesmo: essa Zéfa deve não prestar mesmo, para Expedito ter tanto desprezo por ela.

O FIM DO CASTIGO E A FESTA

Dôtô, derna daquéla épica pago um pedaçu da minha pusentaduria, praquéla praga.

Nas época, eu fiquei muito “p. da vida”, mais pêncei acim: hômi, mais vale o sussêgo de vivê longe daquela praga, du que esses “merreis” de dinhêro.

Graça ao meu Bom Deus, eu nunca súbi nem puronde ela anda.

Vévo livre, aqui no sítio, no Siridó, e apesá do castigo de pagá a penção alimentiça, desbitado na conta dus pagamento da Prefeitura, é um discânso, num vê a cara daquéla praga.

Inda mais, o tempo paça dipréça, e uma prova diço, é qui o castigo já tá si acabându.

“Zé finí”, cumo si diz im francêis, pois si acaba daqui pru fim du anu.

Dôtô. Deus tarda, mais nun fáia. Sábi uma tá de Leis du Retôrno? As pessoa arecolhe o qui pranta, e agora, a vidinha boa da praga, tá si acabandu.

Os binifiços qui o Juíz deu, tá perto de fazê parti du paçado!!!

O pôvo diz qui tôdo castigo prá côrno é pôco, mais eu tô mim livrando dêssi e já tô pógramando uma festa, prá imcumemorá o fim do malifíço.

O tírtulo vai sê: “O FIM DA PRAGA” ou “PRAGA TOMBÉM TEM FIM”.

Inda num cêio.

 

A DESPEDIDA

Ói, Dôtô, Mulé rim é pió du qui água salôbra e quente, prá bêbê, quando si tá cum cêde!

Pur eca, eu já pacei. Foi uma disgraça qui eu tinha de vivê puraqui purêsse mundo, prá pagá us meus pecado.

E agora? “Vaide reto satanáis”!!!

Sô um homi livre, prá vivê filiz cum o meu amô, inté o fim de minha vida.

Expedito suspira e diz: Arrenego a praga qui sufrí!!!!

Eu aproveito a pausa, e falo: É Expedito. Mamãe dizia que quando dois não querem, dois não brigam, mas falava também, que um casal infeliz, vive “como gato e cachorro”.

Apois é, Dotô. Alêm de tudo, eu e Zéfa, índa vevía nessa segunda cracificação.

Pur conta deças coisa, Zefa fáis parte de um paçado deploravi.

Eu quero é qui ela vá prá “Casa da Mãe de Pantanha”!

Dôtô, vâmo parando puraqui. Tá bom de falá im praga.

Adespois dessis açunto disagradáve, vou mim benzê, tumá uma lapada di cachaça Extrema, e rezá prá Deus mim protegê, inté das praga da “besta fera da Zéfa”.

Dôtô, Inté mais vê, é ponto finá.

Como não desliga o celular, escuto ele dizer, para ele mesmo: hogi tenho a vida qui pidi a Deus: SAÚDE, PAZ, LIBERDADE E ALEGRIA DE VIVER!!!

E grita: ô Cristina. Ô meu amôzinho. Pur favô traga aí a garáfa de cachaça Extrema, azulada cum fulô de critóra, qui Dotô Antônio mandou pelo motorista do hônibus, e venha prá cá prá fóra, prá nóis curtí essa lua cheia.

E segue caminhando para o terreiro, cantarolando a música “Sou Feliz”, de Jorge de Altinho:

Estava sentindo um frio

No meu corpo nu e tão só

Tava nascendo um jeito

De sofrer que dava dó

Meu coração chorava

Que nem flauta ou bandolim

Meu peito dilacerava

Tava mal, coisa ruim

Agora eu sou feliz

Porque você voltou pra mim

 

Sou feliz

Porque você voltou pra mim

Sou feliz

Porque você voltou pra mim

Sou feliz

Porque você voltou pra mim

Sou feliz

Porque você voltou pra mim

 

As rosas exalam cheiro

Cheiro bom é o de jasmim

As cores que não tem dores

Estão juntas no jardim

Hoje meu corpo é maneiro

Ligeiro que nem colibri

Suave como a canção

Doce bom que nem pudim

Tudo isso só porque

Você meu bem voltou pra mim

 

Sou feliz

Porque você voltou pra mim

Sou feliz

Porque você voltou pra mim

Sou feliz

Porque você voltou pra mim

Sou feliz

Porque você voltou pra mim…

 

 

 

 

Antonio José Ferreira de Melo – Economista, antoniojfm@gmail.com

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

Recent Posts

COTAÇÕES DO DIA

DÓLAR COMERCIAL: R$ 5,0780 DÓLAR TURISMO: R$ 5,2820 EURO: R$ 5,7930 LIBRA: R$ 6,8140 PESO…

17 horas ago

Área queimada no Brasil fica 31% abaixo da média histórica em 2025

O Brasil registrou 12,7 milhões de hectares queimados em 2025, uma redução de 31% em…

17 horas ago

Operação do MP mira rede de financiamento do PCC e atuação em ‘tribunais do crime’

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) realiza, nesta terça-feira (21), uma operação para desarticular uma organização…

17 horas ago

Governo destina R$ 547 milhões para ressarcir beneficiários do INSS

O governo federal autorizou repasse de R$ 547 milhões para ressarcir beneficiários do Instituto Nacional do…

18 horas ago

Modelo do Pix desafia controle financeiro dos EUA sobre o Brasil

O Pix brasileiro virou um dos alvos do governo dos Estados Unidos (EUA), entre outros…

18 horas ago

Mulher é presa suspeita de injúria racial após discussão em condomínio de Natal

Uma mulher de 55 anos foi presa nessa segunda-feira (20) suspeita de cometer o crime…

18 horas ago

This website uses cookies.