INIMIGAS POLÍTICAS –
Fazem parte do folclore político do Rio Grande do Norte, brigas hilárias entre eleitores adversários políticos, à medida que se aproximavam as eleições municipais, para Prefeito e Vice-Prefeito de várias cidades, principalmente Nova-Cruz (RN). Os partidos eram PSD e UDN.
Antigamente (décadas de 50 e 60), as cidades do interior do Rio Grande do Norte, no período eleitoral, viviam um clima inflamado, com “brigas de comadres” no meio da rua, em defesa dos candidatos da UDN e do PSD,  que, às vezes, terminavam indo às vias de fato ou à Delegacia de Polícia.

Dona Anália e Dona Izabel eram adversárias políticas ferrenhas e briguentas, uma da UDN e a outra do PSD.  Através de insultos mútuos que as duas protagonizavam em suas calçadas, ambas mandavam bananas uma para a outra, o que, naquela época, significava indecência.  Além dessa troca de bananas, que na época se usava nas brigas, havia coisa pior:  Uma das comadres agredia a adversária, levantando o rabo do gato preto de sua propriedade, acintosamente, e exibindo- o para o lado da adversária política que estava na calçada. Isso era considerado uma grande ofensa. E o gesto era retribuído no mesmo momento, ficando as agressoras de peito lavado.

Os insultos entre as adversárias políticas eram de baixo nível, agredindo o decoro e a moral das distintas comadres.
Às vezes, as discussões chegavam às vias de fato, com empurrões  e troca de tapas, que só terminavam com a interferência de terceiros ou dos respectivos maridos, quando eram casadas. A baixaria invadia as ruas, predominando, entretanto,  o “envio de bananas”, através de gestos.

Havia brigas hilárias entre candidatas a cargos eletivos,  adversárias políticas, esposas de candidatos, amigas ou simpatizantes políticas. A baixaria era grande. Só diminuía se os maridos aparecessem para acabar com o furdunço. Até aplausos, a mulher que mais baixasse o nível da briga, recebia do público.

Certa vez, em plena campanha política para Prefeito e Vice-Prefeito, duas adversárias políticas, mulheres da sociedade novacruzense,  em plena luz do dia, uma, candidata à reeleição de um cargo eletivo, a outra, uma  professora muito respeitada, trocaram farpas e insultos, em defesa dos seus respectivos candidatos,  acusando os candidatos adversários de serem comunistas e corruptos.

As duas terminaram se agredindo fisicamente, trocando bofetes e empurrões, o que provocou a intervenção de dois fiscais da Mesa de Rendas, que conseguiram, com muita dificuldade, apartar a briga, puxando cada uma delas pela cintura. Os insultos trocados ainda continuaram sendo ouvidos durante alguns minutos, uma chamando a outra de rapariga, o que, naquela época, era a maior ofensa que se podia dizer com uma senhora casada.

A rua ficou cheia de gente, e a briga se espalhou de boca em boca, sendo a melhor notícia do dia, numa época em que ainda não havia televisão nem telefone na cidade.

Violante Pimentel – Escritora
As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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