Mesmo quem está confiante nas provas objetivas reconhece que esta etapa tem caráter eliminatório e classificatório e que qualquer erro, seja técnico, seja formal, pode comprometer o resultado.
O edital define com clareza como cada resposta será avaliada, qual é a estrutura exigida e quais regras precisam ser seguidas durante a aplicação.
A estrutura da prova varia conforme o nível de escolaridade exigido pelo cargo, mas a responsabilidade é a mesma em ambos os casos.
Nesta reportagem, entenda como será cada prova, qual é a pontuação atribuída a cada tipo de resposta e o que a banca espera do candidato no dia da aplicação.
Para os cargos de nível superior, a prova será composta por duas questões discursivas. Cada uma deve ser respondida em até 30 linhas.
Ao todo, a etapa vale 45 pontos. Cada questão tem o valor de 22,5 pontos, distribuídos igualmente entre dois critérios.
A metade da nota se refere ao domínio dos conhecimentos específicos, que são os conteúdos previstos nos anexos do bloco temático de inscrição. A Fundação Getúlio Vargas, banca organizadora, avaliará a compreensão do tema, a precisão conceitual e a pertinência das informações utilizadas pelo candidato.
A outra metade corresponde ao uso da Língua Portuguesa. O avaliador verificará correção gramatical, estrutura do texto e organização das ideias. Segundo o edital, a coerência e a coesão serão determinantes para que a resposta tenha clareza e unidade.
A discursiva do nível intermediário será uma redação dissertativo-argumentativa de até 30 linhas.
Ela vale 30 pontos e toda a nota será atribuída exclusivamente ao critério de uso da Língua Portuguesa.
Embora o tema tenha relação com os conhecimentos específicos do bloco, o edital não atribui pontuação por domínio técnico.
O desempenho dependerá da capacidade do candidato de estruturar um texto com introdução, desenvolvimento e conclusão, além de manter coerência, coesão e respeito à norma culta.
Tanto as questões do nível superior quanto o tema da redação do nível intermediário serão baseados nos conteúdos específicos definidos nos anexos do edital. O candidato deve consultar o material correspondente ao seu bloco temático, já que os assuntos da prova virão exclusivamente dessa lista.
O edital deixa claro que a escrita será determinante para todos os candidatos.
A compreensão desses critérios e o domínio do conteúdo específico do bloco são elementos essenciais para alcançar um bom resultado na etapa discursiva.
Para se preparar, não basta memorizar. É preciso transformar conhecimento em texto, revisando os eixos do edital e identificando os temas mais cobrados.
Estude com três pilares: revisão focada, treino e simulação, dica da professora Leticia Bastos. Revise conteúdos-chave, treine redações respeitando 30 linhas e o tempo da prova e simule a prova completa pelo menos uma vez.
No nível superior, foque em conceitos, classificações, políticas públicas e procedimentos específicos. Por exemplo, no Bloco 5, Administração, é comum cobrar gestão por competências.
Leia o edital com atenção, explica Leticia Bastos. Confira formato da prova, eixos temáticos e critérios de correção para planejar seus estudos.
Para escrever bem dentro de 30 linhas, use estrutura em quatro parágrafos: introdução, dois blocos de desenvolvimento e conclusão, conselho da professora. Faça um rascunho com tese, argumentos e conclusão, distribua linhas e use conectivos claros.
O ideal é escolher palavras precisas, fundamentar a argumentação com conceitos previstos no edital e manter a progressão lógica do texto.
Equilibre conhecimento técnico e língua portuguesa. Nível superior divide a nota entre conteúdo e linguagem; intermediário avalia 100% língua portuguesa, orientação de Leticia Bastos.
Na revisão final, dedique 5 a 10 minutos para conferir tema, coerência e erros gramaticais, recomenda Leticia Bastos.
Para evitar problemas, o candidato também precisa ficar atento às regras formais, que são eliminatórias.
De acordo com o edital, a escrita deve ser feita exclusivamente com caneta esferográfica azul ou preta, de corpo transparente.
A folha definitiva não pode ter assinatura, marcas, símbolos ou qualquer elemento que permita identificar o autor.
Além disso, respostas fora do espaço delimitado ou ilegíveis recebem nota zero. E o rascunho não será corrigido — só o texto final transcrito na folha oficial tem validade.
Os portões serão fechados às 12h30, no horário de Brasília, e a prova começa às 13h. A partir daí, muda apenas a duração conforme o cargo:
Em ambos os casos, o candidato deve permanecer pelo menos uma hora na sala, entregar o cartão de respostas e a folha de textos definitivos ao final, e as três últimas pessoas da sala precisam permanecer juntas até a assinatura da ata.
A primeira etapa do CNU 2025, realizada no dia 5 de outubro, teve números expressivos e algumas mudanças em relação ao ano anterior.
Para reforçar a segurança contra fraudes, foram produzidas 36 versões diferentes da prova objetiva, com quatro modelos distintos para cada bloco temático.
Outra novidade foi a permissão de levar o caderno de questões para casa — mas apenas para quem permaneceu até a última hora do período total da prova.
As provas começaram às 13h, com durações diferentes:
Independente do nível, todos precisaram ficar na sala pelo menos duas horas antes de poder sair. A estrutura da objetiva foi dividida em duas partes:
O número de questões também variou:
Segudo o Ministério da Gestão, a participação de candidatos surpreendeu: quase 60% dos inscritos compareceram, reduzindo a abstenção para 42,8%, um índice muito menor que o de 2024 (54%).
Ao todo, mais de 760 mil pessoas se inscreveram, reforçando o CNU como o maior concurso público do país.
O menor índice de abstenção foi no Distrito Federal (30,8%); o maior, no Amazonas (51,2%).
A primeira fase, portanto, fechou com boa participação e reforçou a expectativa para a etapa discursiva, que agora decide o futuro dos candidatos.
A segunda edição do CNU organizou suas vagas em nove blocos temáticos. Com uma única inscrição, o candidato concorre a todas as vagas do seu bloco. O títulos dos blocos são:
Os salários vão de R$ 4 mil a R$ 16 mil, dependendo do cargo e do nível. Embora a maioria das vagas esteja em Brasília, há oportunidades em vários estados.
O CNU 2025 também trouxe uma mudança importante: agora todo o processo é regido por um único edital, facilitando o acesso às informações e a comparação entre blocos.
Fonte: G1
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