DE AMIGOS DO PEITO –
Fortuna minha conviver com certas figuras, à vezes lúcidas, às vezes loucas, às vezes lúdicas, ao meu redor. Pessoas que detêm o segredo do controle da sintonia fina da simpatia, da emoção, da piedade, da empatia e da ternura. Não diria que estariam todos no rol dos meus amigos íntimos (tenho poucos, aliás). Alguns deles nem de longe, suponho, suspeitam o quanto eles são imprescindíveis pra mim .
Tinha acabado de cometer o que deveria ser “A estação de Ana e Outros poemas “. Mandei o original pra um deles e recebi como resposta, junto com a orelha, as correções, as exclusões, e a humildade mais simples ao me dizer que gostaria de ter escrito alguns deles; e, também, a certeza do título definitivo, “A Estação de Ana e outras Estações”.
Ele escreveu assim: “ É muito bom ver e ouvir Delfino agarrado ao violão tocando alguma brincadeira de Bach. Idem vê-lo e ouvi-lo expor suas ideias com um prazer e uma paixão que o deixam com 11 anos de idade. Também é igualmente gostoso admirá-lo em silêncio e calmo e quieto. Só que este terceiro parágrafo é impossível. Vive botando os outros pra dormir e tem uma estranha mania de acordar cedo. Essa virtude talvez seja seu único defeito. Juntados às qualidades, tem alguns tiques que, ao contrário do comum, lhe dão um charme maranhense que se distribui pela coloração morena. E é isso que lhe faz nunca ser confundido com Romy Schneider. Quando aluno marista, rezava aquelas orações em francês, mas com sotaque de Cardiff, pra onde iria bem depois fazer pós-graduação e mostrar aos súditos de uma tal rainha o poder do jerimum. Recebeu Oscar nos dois papéis. Tem mania de ajeitar os óculos com o dedo que se dá a tantos que merecem. Às vezes olha pro nada, o que, sob sua ótica, pode ser tudo. E é aqui que esta parte da Física fica fácil de entender: os óculos, começou a usá-los lá pelos vinte anos. O jeito de ajeitar, cada um tem o seu. Se ele olha pro nada, o nada não sabe. Coincidência é ele ter, no tempo dos primeiros óculos de armação feia, conhecido uma oftalmologista linda que, por quase meio século, examinou o profundo dos seus olhos. Mas, como na vida até as lentes passam, a encantadora doutora fechou seus olhos (dela) antes de ele os dele. Ninguém nunca vai saber o que ele viu. Nesta parte da história ele deu as costas e não foi em busca de nada. Entrou no trem sem pressa, pouco lhe importava a paisagem lá fora, deve ter maldito a vida e a morte, mas seguiu viagem. Depois, tudo o que diz a lenda é que ele desceu numa estação chamada Ana. Pra não esquecer: a estação de embarque chamava-se Margareth. Pra lembrar: qualquer percurso é uma soma de trechos e, dizem os maquinistas, na vida nem todas as estações têm nome ou lugar”.
Não disse, a rigor, uma só palavra sobre a coletânea e ao mesmo tempo disse tudo pra todos e, principalmente, pra mim. Mariana fez chegar o texto ao porto seguro. Disse-me ela que, ao terminar, as meninas dos olhos dele marejavam. E as minhas ao lê-lo, como se com os olhos dele, desabaram em plena estação das chuvas. Com todos os trejeitos que o meu rosto teve direito.
José Delfino – Médico, músico e escritor
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