A PEDRA E O CHÁ –
A medicina nos últimos vinte anos tem revelado avanços surpreendentes e significativos. No entanto, percebemos que em algumas áreas essa evolução não tem sido tão expressiva. No segmento das especializadas de Nefrologia e Urologia, uma entidade mórbida muito presente, a litíase renal (cálculo renal) pouco ou quase nada tem avançado em relação ao seu tratamento.
A doença tem origem multifatorial. Recebe uma forte influência genética e está aliada àqueles que tomam pouco líquido, ingerem muito sal e muita proteína.
O cálculo renal, na sua maioria constituído de cálcio, se caracteriza clinicamente pela presença de uma dor aguda de fortíssima intensidade, localizada na altura dos rins — conhecida como cólica renal. Situação clínica emergencial que obriga o paciente a procurar de imediato um serviço de pronto atendimento. O tratamento atual visa tão somente o alívio da dor e, em muitas vezes, tem sido utilizada até a morfina como a última opção para a sedação do quadro doloroso.
Somos constantemente cobrados e de forma insistente pelos consultados, por prescrições com medicamentos que tenham o poder de dissolver as aborrecidas e indesejáveis “pedras”. Ficamos somente na intenção e nada podemos fazer.
A indústria farmacêutica, os estudos científicos, em nada avançaram nesse contexto.
A orientação é sempre simplória: tome bastante liquido, evite alimentos salgados e diminua a ingestão de proteínas. O que não satisfaz plenamente aos consultados, que insistem em pedir um remédio que dissolva verdadeiramente as pedras. Nesse episódio, somos insistentemente indagados sobre o uso de chás: a fitoterapia.
A recomendação é positiva, baseada mais na entrada de líquidos e não que os chás tenham alguma confirmação científica que justifiquem o seu uso. Trabalhos foram feitos na Escola Paulista de Medicina em épocas passadas sobre o chá de quebra pedra, e nenhuma comprovação científica foi registrada de benefício diante dos cálculos renais. Não “quebra nada”.
Os consultados relatam o uso dos mais variados chás como medida salvadora: chá de quebra pedra, chá de cardeiro, chá da flor do cardeiro, chá da folha de abacate, chá de alpiste, chá da alcachofra, chá de capim cidrão, chá do cabelo de milho, chá da cana do brejo, chá chapéu de couro e chá de boldo.
Enquanto a ciência não avança para solucionar o velho e doloroso problema das pedras nos rins, vamos ficando com os chás, mesmo sentindo o gosto amargo da espera.
Berilo de Castro – Médico e Escritor – berilodecastro@hotmail.com.br
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Verdade, uma doença. Que até pelo nome se achava fácil de resolver dado o adiantado progresso da Medicina não progedio neste acometimento. Como dizia mamãe ainda é uma pedra no sapato . Quando tinha uma coisa que ficava sem a devida solução.