A DENGUE VOLTOU –

Homenagem as vítimas picadas de ontem, hoje e amanhã

Apreensão e medo dominam a população do Rio Grande do Norte, diante do desdém das autoridades de saúde com relação a dengue que voltou a dominar Natal. Passe um dia no Hospital Giselda Trigueiros ou confira as estatísticas dos postos de saúde para se chegar a um quadro preocupante para não dizer alarmante. As Secretarias de Saúde do Estado e do Município de Natal, os infectologistas precisam vir à público para dizer alguma coisa. A insegurança, os assaltos, são tão ultrajantes quanto a inexistência total de um plano de combate a dengue. O mosquito não respeita as imunidades parlamentares, eclesiásticas, oficiais ou dos magistrados.  Por que tem dinheiro para comprar inseticidas, jogar nas ruas o carro fumacê em “alavantur e anarriê”? Sem falar nos bairros da Zona Norte, o mosquito ataca hoje de fraque e cartola os bairros nobres da Zona Sul.

Muita gente foi “ferrado”, depois, poderá ser a vez da governadora, do prefeito, do desembargador, do arcebispo e do senador ao vereador. Exatamente por demora, negligência do Ministério da Saúde, a dengue se alastra no Rio Grande do Norte fazendo centenas de infectados. Está mais de que provado que viver é extremamente perigoso. Como se não bastassem os ladrões que espreitam o nosso sono e o descuido, os impostos, as multas de trânsito, as contas majoradas de luz e telefone,  os  aumentos dos  combustíveis, os  flanelinhas, agora acontece o pior: já é difícil tratar as mil doenças conhecidas, desaba sobre nós a Covid rilhenta e zombeteira, voltando com gosto de gás. Enquanto o Conselho de Medicina e os órgãos da Saúde Pública não se pronunciarem em edição extraordinária sobre o descaso, várias teorias já circulam no pedaço. O Guru Lara Rezende classifica o mal como “vírus das parcerias”; se referindo a junção PT, PMDB e PSB.

José Serra, ex-ministro da saúde e ex-candidato a “presidengue”, em ligação errada para o Rio Grande do Norte (ia ligar para o Ceará mas por pirraça desviou para Natal); diagnosticou com desprezo como “doença de nordestino”; que infectou o sul maravilha, vírus de fim de século, de final de milênio, etc. Enfim, o ar está pestilêncial. Só nos resta recitar o salmo 90 que cura: “Só Deus te livrará da rede do caçador e da epidemia funesta. Com ele, não temerás o pavor da noite nem a epidemia que ronda no escuro e nem a peste que devasta ao meio dia”.

 

 

 

 

 

Valério Mesquita – Escritor, Membro da Academia Macaibense de Letras, Academia Norte-Riograndense de letras e do Conselho Estadual de Cultura  e do IHGRN– mesquita.valerio@gmail.com

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