VINGANÇA MALDITA – Alberto Rostand Lanverly

VINGANÇA MALDITA –

Cansado da vida na capital, Jesualdo buscou tranquilidade em pacato interior, sem, contudo, deixar de lado a sua especialidade favorita, a de conquistador. Generosa, sua cara metade, adorava dançar e aproximando a festa da padroeira, a contragosto do amado, insinuou gostaria de participar do baile que aconteceria em breve.

Chegado o dia, Jesualdo certo sua companheira havia esquecido da triste vontade, já pronto para sair, com pavorosa tristeza viu Generosa se apresentar, cheirosa como nunca, usando vestido xadrez a combinar com sua camisa, dizendo estar pronta.

Ele, extremamente estressado, sem nem ao menos resmungar, engrossou a cara e partiram para o tão falado e esperado baile, lá sentou-se à mesa com a esposa, para logo após, avisar estava a necessitar ir ao banheiro, demorando tanto em retornar, que Generosa, preocupada, resolveu verificar o que acontecera com o amado.

Informada por conhecidos descobriu que Jesualdo não tinha ido até onde dissera, e ao percorrer o salão, apinhado de pessoas, o avistou todo suado, literalmente encaixado no corpo de certa morena, e o que mais lhe preocupou é que apesar da música ser bem animada, os dois mais pareciam um bloco monolítico, pois nem se mexiam.

Triste com a visão, retornou ao seu assento, até que tempos depois, eis que surge o aborrecido maridão, reclamando do estomago, dizendo haver vomitado e defecado em demasia, para logo após sumir novamente, por outro longo tempo.

Coincidentemente Generosa, trazia em sua bolsa, caixa de forte laxante intestinal, que havia tomado semanas antes, em preparo para procedimento operatório, com efeito imediato, e destituído de sabor.

Sabendo que seu enfermo dançarino, de tempos em tempos retornava para tomar gole de água, desaparecendo a seguir, colocou sete envelopes da droga no copo, e com muita alegria viu seu amor engolir rapidamente, para mais uma vez se ausentar.

Ela o seguiu e viu que em menos de cinco minutos, ele estava todo borrado e mal cheiroso, não somente sua calça branca, mas o vestido da mesma cor de sua acompanhante, ambos sujos de marrom. Foi quando Generosa, apareceu calmamente se oferecendo a leva-lo ao posto de saúde.

Oito dias se passaram, até que ainda todo assado, Jesualdo conseguiu se recuperar do ocorrido. Generosa jamais contou a estripulia que houvera armado, enquanto a donzela da noite, conseguiu alguém mais jovem, com o esfíncter anal mais apertado.

 

 

Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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