UM NAMORO QUE NUNCA TERMINOU – Alberto Rostand Lanverly

UM NAMORO QUE NUNCA TERMINOU –

Tudo começou em 1974, quando o mundo seguia um ritmo bem diferente do atual. Não existiam celulares, internet ou redes sociais. As fotografias precisavam ser reveladas, as cartas ainda eram importantes e os encontros tinham o encanto especial da espera.

Foi naquele tempo que nasceu um namoro que atravessaria décadas. Vieram o noivado, o casamento e a construção de uma vida compartilhada, alicerçada no respeito, na cumplicidade e no afeto. Com o passar dos anos, chegaram três filhas, que trouxeram genros, ampliando os horizontes da felicidade. Mais tarde, vieram seis netos, com novos sorrisos, novas histórias e a maravilhosa oportunidade de reviver a infância sob uma nova perspectiva.

Enquanto a família crescia, o mundo também mudava. A tecnologia revolucionou a comunicação, encurtou distâncias e transformou hábitos que pareciam eternos. Juntos, acompanharam essas mudanças e percorreram muitos caminhos, conhecendo cidades, países e culturas que enriqueceram suas experiências e fortaleceram ainda mais os laços que os uniam.

Mas a maior de todas as viagens não foi realizada por estradas, navios ou aviões. Foi a jornada diária de construir uma vida a dois, enfrentando desafios, celebrando conquistas e descobrindo que a felicidade costuma habitar os momentos mais simples: uma conversa tranquila, um olhar de entendimento, uma caminhada sem pressa ou a alegria de reunir a família ao redor da mesa.

Passados mais de cinquenta anos, o que mais chama atenção nessa história é que o casamento jamais substituiu o namoro. O carinho, a admiração e a vontade de compartilhar sonhos permaneceram vivos, desafiando o tempo e confirmando que o amor verdadeiro não se mede pelos anos que passam, mas pela capacidade de continuar florescendo.

E assim segue essa bela história iniciada em 1974: enriquecida pelas experiências vividas junto a Ana Lanverly, iluminada pela família construída e sustentada por um namoro que, felizmente, nunca chegou ao fim, porque existem amores que sobrevivem ao tempo. E existem aqueles, mais raros, que transformam o próprio tempo em testemunha de sua eternidade.

 

 

 

Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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