Era um quarto frio de um hospital, uma madrugada silenciosa, apenas se ouvia a entrada e saída de enfermeiras para aplicação da medicação. Eu com os olhos fixos para o teto, não conseguia dormi. Resolvi então mudar a posição da cabeça, já que pouco podia mexer o corpo, pois, os braços e artérias estavam sendo utilizados para aplicação da medicação intravenosa.
Consegui relaxar um pouco e cochilei. Sonhei com meu tempo de criança e minha mocidade, – cinco anos de idade, tempo vivido na Rua Serido, no quarteirão entre as Ruas Ana Neri e a Avenida Nilo Peçanha. Sonhei com meus irmãos José Maria e Liege, que eram encostados na idade. Sonhei com a Casa do Estudante – em frente a nossa casa, a rapaziada fazendo pose no terraço para as moças, e a gente observando. Com a Praça Pedro Velho onde tinha um grande parque infantil, com balanços, escorregos e outros brinquedos. Os pés de fícus cortados em formato de animais ou casinhas. Reduto de fotógrafos, La conheci José Seabra, Jorge Mario e outros. Local servia de ponto de encontro para namorados. Grandes tanques com tartarugas, uma quadra de esporte, onde a juventude jogava basquete e vôlei, era um local bem freqüentado pela sociedade. Sonhei com os passeios de carro de aluguel da Praça da Avenida Rio Brancos, carros americanos da marca Ford, Mercury, Chevrolet entre outras. Íamos sempre a uma granja de meu pai, na Avenida 20, hoje Miguel Castro, ou as casas das avós e tios, isto todos os domingos à tarde, pela manhã geralmente íamos à praia da Redinha. O tempo passou, e nos mudados para a Rua Mossoró, tinha oito anos de idade, e lá fiquei até me formar.
Natal era diferente, as noites silenciosas, ouviam-se apenas os apitos dos guardas noturnos ou um acorde musical de um “pinho” de um namorado apaixonado fazendo seresta para sua amada. Os vaga-lumes ou a luz da lua iluminavam as ruas. Pela manhã ouviam-se os sinos das igrejas anunciando as missas – geralmente todas logo cedo, o coral de Seminário São Pedro, os vendedores de pão, o leiteiro e logo depois vinha o verdureiro anunciando as suas verduras. Tinha também os amoladores de facas e tesouras que tocando um apito anunciava sua arte. Os garrafeiros que compravam garrafas e metais velhos. Os vendedores de jornais, alguns anunciam suas vendas com manchetes mirabolantes ou cantando musicas que pouco eu entendia.
A vida “corria mansa”, pela manhã colégio, entre eles, Marista, Salesiano, 7 de Setembro, Atheneu e Ginásio São Luiz eram os mais conhecidos. Peladas pelas ruas – poucas eram calçadas, ou nos terrenos baldios, jogo “biloca”, botão eram as brincadeiras preferidas da rapaziada. A noite reunião das “malocas” em baixo dos postes, namoro geralmente nos finais de semana, onde íamos a um cinema, ou as matinês no America, Aero Clube, ABC, Assem ou Camana.
Passou o sonho, passou o tempo. Ficaram as lembranças de uma época bonita, que não me parece muito longe.
“Velhos Tempos, velhos dias.”
Guga Coelho Leal – Engenheiro e escritor
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