SOLON GALVÃO FILHO –

Solonzinho, para os íntimos. Partiu para nova vida.  E me deixando cada vez mais só. Amigos com os quais convivia diariamente partiram. O primeiro a seguir novos caminhos foi Alvamar Furtado, seguido por Odilon Garcia e, em sequencia, Araken Irere Pinto, Eudes Moura, Ernani Rosado. Com esses, convivíamos todo fim de semana, jantar nas sextas à noite, almoço aos sábados. Depois de aperitivos na casa de um ou de outro.

Embora menos constante em nossa roda, também se foi Peri Lamartine, meu amigo e colega de vida inteira no Atheneu. Como sinto a ausência desses amigos!

Destes, Solon talvez tenha sido o de mais estreita convivência.  Com exceção de Alvamar, que era meu vizinho e que via diariamente. É que nossas famílias eram muito unidas, minha mulher ligadíssima à Ceição, de quem ele se separou. Isso foi sentido por Ione e, claro, dificultou o meu relacionamento com ele.

Veraneávamos juntos na mesma casa. Fizemos isso na Redinha e Ponta Negra – no tempo que eram praias de veraneio. Lembro-me que mais das vezes alugávamos a casa de um amigo nosso, beira-mar. Radioamadores, colocávamos nossa antena em postes fincados na frente da casa e nunca tivemos problemas. Nossos filhos conviviam admiravelmente bem. Mas, crianças, de vez em quando tinham seus probleminhas, especialmente Dóris e Daltinho, que eram mais espevitados. No final, se entendiam e continuavam às mil maravilhas.

Além do radioamadorismo, tínhamos muitas outras coisas em comum, que nos aproximavam. Um barco à vela, um “snipe”, que havíamos comprado juntos, naquele tempo ligado à Flotilha de Snipes de Natal, que deu origem ao Iate Clube, do qual fomos fundadores em 1955. Participamos juntos de várias regatas, das quais uma das mais famosas foi do Iate à Ponte de Igapó, quando ganhamos um “cabo de reboque” por termos chegado em último lugar. Isso não nos desanimava; ao contrário.

Radioamadorismo, já comentei. Mas vale acrescentar que, “entonces”, tínhamos que montar nossos equipamentos e antenas, e fizemos tantas e montamos tantos da marca Heathkit (importados dos EUA, únicos que existiam no Brasil), que podíamos nos considerar doutores.

Apreciávamos um bom jazz, uma boa música clássica, que junto com Eudes e Ernani, sempre desfrutávamos, degustando um bom whisky. Alvamar nos acompanhava muitas vezes, tomando a sua Coca-Cola.

Tínhamos uma convivência quase diária, que me deixa muitas saudades. Mas, a melhor forma de lembrarmos àqueles a quem queremos bem é lembrar momentos alegres e agradáveis. Ciao Solon, com certeza nos encontraremos.

 

Dalton Mello de Andrade – Escritor, ex-secretário da Educação do RN

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores

 

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