RELEMBRANDO UM GRANDE JORNALISTA –
Cascudo, comentando em tom jocoso o quotidiano do viver em Natal, dizia que ”nesta cidade tudo se vê, tudo se ouve, nada se esconde”. O conceito profissional como jornalista digno e competente foi o referencial que levou o governador Tarcísio Maia a convidar João Batista Machado para assumir e exercer em seu governo o cargo de Secretário de Imprensa. Do mesmo modo nos dois governos de José Agripino Maia, de Radir Pereira e Vivaldo Costa. Também exerceu o cargo de Assessor de Imprensa da Federação do Comércio do Rio Grande do Norte e do sistema SESC/SENAC. Atualmente é Diretor de Comunicação Social do Tribunal de Contas do Estado.
Carlos Castelo Branco, que, através de sua coluna diária no JORNAL DO BRASIL, registrou e analisou a nossa História em 50 anos do século XX, dizia que o jornalista é, ao mesmo tempo, personagem e espectador da História.
E por falar em Castelinho, o genial jornalista que reinventou o jornalismo político no país com brilho e credibilidade informativa, devo dizer que João Batista Machado também assim procedeu com relação ao Rio Grande do Norte, tanto através de suas reportagens ao longo do tempo como através dos seus livros. E registro, igualmente, a simpatia e apreço que o pequeno grande jornalista piauiense devotava ao seu colega de Assú, amizade construída em Natal em 1982, quando aqui veio em missão profissional, deixando os dois, como não poderia deixar de ser, pelos bares e restaurantes natalenses, a marca registrada do consumo do melhor escocês. Quatro anos depois, Machado precisou retificar uma notícia veiculada na célebre coluna do Castelo no Jornal do Brasil a respeito da política do Rio Grande do Norte. E para merecer uma acolhida in totum, nessa coluna, só quem desfrutasse efetivamente de prestígio político e cultural ou da estima pessoal do renomado jornalista. O nosso João Batista ocupou o espaço que a amizade e a admiração do seu colega lhe permitia na edição do Jornal do Brasil de quarta-feira, 17 de setembro de 1986, através da transcrição de um longo esclarecimento.
João Batista Machado fez História. Seus livros, todos eles, preservam a memória política do nosso Estado. Dá-lhe vigor e autenticidade. Assim se sucederam ”De 35 ao AI-5”, ”Política no atacado e no varejo”, “Anotações de um repórter político”, ”Como se fazia governador durante o regime militar”, “1960: Explosão de paixão e ódio” e “Perfil da República no Rio Grande do Norte”. A sair, “Testemunho de Ausentes” (48 perfis). A vida profissional e a obra de João Batista Machado, limpo e isento, há muito tempo, tornaram-no membro desta Casa. Sua posse formal, pública e solene, é apenas mais um gesto de reconhecimento e gratidão da sociedade a quem ele tanto ilustra e honra com seu exemplo de jornalista ético e competente, de uma conduta pessoal feita de dignidade, e sua obra, documento vivo e imperecível da nossa História.
Valério Mesquita – Escritor, Mesquita.valerio@gmail.com
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