Jean Paul Prates

Sem novena e romaria: conquistar o hub da TAM vai exigir só trabalho! Muito trabalho!

Tenho comentado sobre a “conquista da moda” que é o hub (central de conexões de vôos) do grupo LATAM (Lan/Tam) ora em disputa entre Recife, Fortaleza e Natal. A disputa, de caráter privado, foi proposta pelo próprio grupo empresarial que vem conversando com Governadores, Prefeitos e empreendedores vinculados aos aeroportos das três cidades-candidatas.

Volta em meia, a história econômica do RN é acometida de “conquistas da moda” que, infelizmente nunca partem de um planejamento governamental interno ou de entendimentos público-privados locais e sim de anúncios unilaterais ou disputas incitadas pelo governo federal ou pela iniciativa privada externa ao Estado.

Diante da surpresa e urgência dos anúncios, somados à super valorização dos “apoios políticos necessários”, sobra tempo e disposição apenas para alguns seminários perfumados recheados de discursos repletos de frases de efeitos e jargões políticos surrados, sempre com os mesmos apelos, providenciais, pela união de todos como numa novena coletiva, normalmente seguida de romarias a Brasília ou às sedes empresariais para assegurar que a “conquista” venha para o RN.

Está mais do que provado que ISSO NÃO BASTA e, ao contrário, por vezes atrapalha. Querem ver?

Lembremo-nos de alguns projetos abortados ou eternamente inacabados desta espécie: Alcanorte, Pólo Gás-Sal, Distritos Industriais no interior, terminal pesqueiro, terminal de passageiros, central da agricultura familiar, instituto internacional de pesquisa em energia renovável, complexo imobiliário da Coteminas na Zona Norte, MetroGoldwinMeyerMGM de Las Vegas para Natal, fábrica da Hyundai, DisneyEnerland, fábricas de painéis solares e muitos outros que o leitor será capaz de complementar.

São projetos que mal passam no vestibular (quando passam), e nunca chegam a se formar na graduação, que é o que importa.  No início do anúncio, ganham logo ‘donos’ ou ‘padrinhos’ locais e, em seguida, perdem a graça e a objetividade. Viram obra de um, desprezada pelos outros. Ou seja, muitas vezes é a própria “padrinhagem” que ajuda a decretar o seu precoce fim e esquecimento.

Muitas das verdadeiras conquistas que o Estado teve recentemente só superaram a fase de gestação graças ao descrédito ou desatenção inicial destes eloquentes “padrinhos de praxe”. Na minha área, posso citar os parques eólicos (que eram inicialmente vistos como coisa de louco, ou de Professor Pardal) e a Refinaria Clara Camarão (que caminhou justamente contra todos, ante o descrédito e até a crítica de muitos, e está aí: construída, operando, se expandindo a cada ano, e agora chegando a ser um dos principais fatores críticos mencionados na disputa pelo Hub da TAM).

A mobilização de que precisamos é REAL, não de palavras ao vento. Trata-se de mobilização para trabalhar. 

Jean-Paul Prates – Consultor em Energia e Presidente da CERN e do SEERN

 

 

 

Ponto de Vista

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