QUE HORAS SÃO? – Flávia Arruda

QUE HORAS SÃO? –

Estou acordada desde às duas horas da manhã. Agora, às cinco da manhã, ouço o chilrear dos pássaros, acho que cantam para mim, bem na minha janela, uma espécie de serenata, oxalá um concerto, talvez para me compensar a falta de sossego que a madrugada me traz. Já fui até o quarto do meu filho para acordá-lo, com o intuito que ele se prepare para seguir viagem até a cidade onde trabalha. Para variar, mais uma noite com apenas três horas de sono. Pense numa insônia que não me deixar descansar, isso, há anos. O cansaço é notório, os dias tem se arrastado, entre as madrugadas e as obrigações cotidianas. Aproveito o belo canto que entra pela janela, fecho os olhos, medito sobre o que preciso agradecer e o que preciso esquecer. Lá fora chove, aqui dentro sinto frio, os pés estão gelados, as mãos também estão geladas, tento me agasalhar.

Tem muitos pensamentos transitando neste instante em minha mente, é verdade que estão sem ordem, pensamentos se atropelando, se abalroando em contramão, isso quando não acham de estacionar em locais proibidos. O fato é que as infrações se amontoam diante de tamanha desordem. Sim, falei desordem, que também se estende até a repartição que trabalho, devido a reforma estrutural do prédio, como se não bastassem, há também desordens nos valores sociais, na política, nas postagens midiáticas, ah, e pensam que para por aí? As abordagens também expõem desordens, grosseirias e desencontros.

Tudo bem, não seria o caso de generalizar, afinal, já estamos em setembro, pouco mais e outubro chega. Tomara! Os pássaros se foram, a chuva parou, os pés e as mãos continuam gelados, penso em levantar, ir até a cozinha tomar um pouco de água, no entanto o corpo está exausto, não responde ao comando. A mente continua em desordem. Desisto. Vou ficar mais um tempo de olhos fechados, tentando relaxamento mental, espiritual e corporal.

Nada feito, nada de descanso, o jeito vai ser levantar e dar início ao meu ritual matinal. Enquanto isso, sentada em minha cama, abro o aplicativo do banco e vou pagando alguns boletos, outros eu reservei, depois penso o que fazer com eles, quem sabe jogá-los para cima e ver quem tem a sorte de ser escolhido. É, minha filha, a vida não está fácil para ninguém, perdemos nosso poder de compra, o salário está totalmente defasado, o carro continua na oficina, preciso dar conta de uma equipe e de processos punks, comprar pão e leite para os meninos, responder e-mails e marcar presença em reunião de trabalho. Bom, se eu tivesse sono e não fosse tão notívaga, teria mais juízo para resolver mais desordens, no entanto, o que temos para hoje é que algumas coisas precisam ser lembradas, enquanto que outras… Melhor esquecer!

Ah, Insônia da gota serena!

 

 

 

 

 

 

Flávia Arruda – Pedagoga e escritora, autora do livro As esquinas da minha existência, flaviarruda71@gmail.com

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