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Quatro PMs são afastados de operações após morte de mulher em comunidade em Natal

Quatro policiais militares foram afastados das funções operacionais por 30 dias por conta da morte da administradora Bárbara Kelly Araújo Nascimento, ocorrida no sábado (12), na comunidade Passo da Pátria, na Zona Leste de Natal.

O afastamento foi anunciado na manhã desta segunda-feira (14) durante uma coletiva da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed) sobre o caso.

Moradores da comunidade e familiares da vítima alegam que o tiro que matou Bárbara foi disparado pela Polícia Militar durante uma operação, e que não houve troca de tiros na comunidade. Bárbara foi atingida na porta de casa. Veja mais acima vídeo do desabafo do irmã de Bárbara duante o enterro.

Ainda no domingo (13), horas após o acontecimento, a Sesed determinou “apuração dos fatos”, que, segundo explicou em nota, incui “os procedimentos policiais realizados na localidade, assim como a morte de uma moradora da comunidade”.

Os quatro policiais militares afastados são do 1º Batalhão da Polícia Militar (1º BPM). Segundo a Sesed, neste período, os policiais permanecem em trabalhos administrativos.

Dois inquéritos

O comandante geral da Polícia Militar, coronel Alarico Azevedo, informou ainda que quatro armas utilizadas na operação policial no Passo da Pátria foram recolhidas para realização de perícia balística. Foram abertos um inquérito policial miliar e um inquérito criminal para apuração dos fatos

“Todos esses fatos serão apurados no inquérito policial. Alguém diz uma coisa, outros dizem outras coisas. Várias versões estão sendo informadas. O inquérito, com bastante calma, com bastante tranquilidade, vai ser apurado por duas instituições, a PM e a Civil”, disse o comandante.

Segundo o comandante, a polícia prendeu em flagrante um suspeito por tráfico de drogas na localidade naquela noite.

“Essa viatura foi acionada para uma ocorrência de tráfico de drogas. Tanto que nesta ocorrência o cidadão foi detido com o material, com balança, com droga, e conduzido à delegacia onde foram feitos procedimentos junto à autoridade policial”, disse.

“E aí, com relação aos disparos e à pessoa alvejada que chegou a óbito, é que vai ser apurado por inquérito policial”, completou. O inquérito tem previsão de 30 dias, podendo ser estendido por mais 10.

O delegado adjunto da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, que investiga o caso, informou que foram identificadas testemunhas que seriam ouvidas ainda nesta segunda-feira.

“A gente espera que esse inquérito seja concluído o mais rápido possível pra poder elucidar completamente essa ocorrência”, disse.

 

“O trabalho da Polícia Civil é técnico, é imparcial, é isento. A população pode ficar muito tranquila que a verdade será exposta sem nenhum tipo de proteção a quem quer que seja”, completou.

Protesto após a morte de Bárbara

Os moradores do Passo da Pátria fizeram um protesto na mesma noite da morte da administradora. Eles colocaram fogo nas entradas do Passo da Pátria, fechando as vias de acesso, principalmente a Avenida do Contorno, na noite de sábado.

Administradora de empresas, Bárbara era casada há 14 anos e deixa ainda uma filha de 4 anos de idade, que estava com ela quando ela foi atingida pelo tiro.

A secretária de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Júlia Arruda, disse que a pasta acompanha de perto o caso.

“Iremos acompanhar e iremos junto com o Conselho dos Direitos Humanos chegar mais perto da família e nos colocar à disposição no que for preciso neste momento tão doloroso pras famílias envolvidas”, disse.

Morte na frente de casa

A vítima morreu na frente da própria casa, pouco depois de chegar do trabalho, por volta das 18h, contou o irmão dela, José Fabrício de Araújo.

“Ela chegou, entrou na casa, ficou lá na frente descansando junto com a filha dela, que estava do lado na hora do acidente, com a cunhada dela, a irmã do esposo…Estavam todos lá sentados na calçada dela e fazia pouco tempo que elas tinham sentado, quando de repente ela escutou já os fogos e os tiros”.

Bárbara chegou a ser socorrida por parentes e amigos e levada ao Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, mas não resistiu. O irmão disse que não houve confronto, e que os policiais já chegaram atirando.

“A população todinha lá está de testemunha que não houve confronto nenhum. Eles entraram na comunidade, viram alguma coisa lá e saíram atirando numa rua cheia de criança em plena 6 horas da noite, com todas as crianças brincando na rua”, disse.

José Fabrício disse ainda que os policiais não prestaram o socorro à vítima.

Bárbara Nascimento foi velada no domingo, na própria comunidade, e enterrada nesta segunda-feira (14) no Cemitério do Bom Pastor.

Fonte: G1RN

Ponto de Vista

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