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Putin e Xi se encontram em Pequim dias após visita de Trump à China

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente da China, Xi Jinping, iniciaram nesta quarta-feira (20) uma série de encontros em Pequim. O encontro acontece poucos dias após a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China.

Segundo o Kremlin e a imprensa estatal chinesa, os líderes devem tratar de cooperação econômica, comércio bilateral e questões regionais e globais.

Os laços entre os presidentes se aprofundaram desde a invasão iniciada pela Rússia contra a Ucrânia em 2022. Desde então, Putin visita Pequim todos os anos.

Antes da viagem, Putin afirmou que as relações entre os dois países atingiram um nível “sem precedentes”. Xi declarou que a cooperação bilateral continua se aprofundando.

Analistas avaliam que a reunião também tem peso simbólico. A viagem de Putin ocorre logo após Trump tentar estabilizar as relações entre Estados Unidos e China durante visita oficial a Pequim.

Especialistas apontam que o presidente russo busca reafirmar a proximidade com Xi e avaliar se a aproximação recente entre chineses e norte-americanos pode afetar os interesses de Moscou.

A visita do presidente russo não deve ter a mesma pompa que a de Trump, mas “a relação entre Xi e Putin não exige este tipo de gesto de apaziguamento”, disse Patricia Kim, do centro de pesquisa Brookings Institution, à AFP.

“É quase certo que Xi informe Putin sobre sua reunião com Trump”, disse Kim.

O que Rússia e China querem?

Para a Rússia, a prioridade é garantir que a parceria com a China permaneça sólida em meio ao isolamento imposto por países ocidentais desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022.

A China se tornou o principal parceiro comercial da Rússia e uma das maiores compradoras do petróleo russo sob sanções internacionais.

Analistas avaliam que Vladimir Putin busca assegurar que eventuais avanços nas relações entre China e Estados Unidos não ocorram às custas dos interesses russos.

Já para Xi, o relacionamento com a Rússia é visto como estratégico, especialmente nas áreas de energia, comércio e equilíbrio geopolítico. A China mantém posição pública de neutralidade sobre a guerra na Ucrânia, defendendo negociações de paz, mas sem condenar a ofensiva russa.

“Pode não ser do interesse da China ver a guerra na Ucrânia continuar”, afirmou Claus Soong, do Instituto Mercator para Estudos da China (Merics) na Alemanha, à DW.

“Mas seria um risco maior para Pequim ver um regime entrar em colapso.”

 

Especialistas apontam que Pequim tenta preservar o apoio à Rússia sem comprometer relações econômicas com o Ocidente, enquanto busca garantir acesso estável a energia e manter influência em um cenário internacional cada vez mais fragmentado.

Fonte: G1

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