O Representante Comercial dos Estados Unidos realizou uma reunião virtual com o Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Márcio Fernando Elias Rosa.
O encontro teve como objetivo dar seguimento à reunião bilateral que ocorreu no dia 7 de maio entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, na Casa Branca.
Nas redes sociais, a autoridade dos EUA celebrou o “engajamento construtivo” do governo brasileiro para avançar em questões comerciais e afirmou que aguarda com expectativa a continuidade das discussões entre os dois países.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 7 de maio, na Casa Branca, em Washington. A reunião durou cerca de três horas e foi classificada como positiva pelos dois líderes.
Logo após o encontro, Trump usou uma rede social para dizer que a reunião foi “muito boa”. Ele também elogiou Lula, chamando o presidente brasileiro de “muito dinâmico”. Na data, o norte-americano anunciou que novos encontros ocorreriam em breve.
Já Lula deu mais detalhes sobre a reunião durante uma coletiva de imprensa sobre quais assuntos foram tratados durante o encontro.
Segundo o presidente, entraram na pauta:
Por outro lado, Lula afirmou que não foram discutidos:
Veja, abaixo, ponto a ponto o que foi e o que não discutido na reunião, segundo Lula.
Lula afirmou que a reunião com Trump teve como foco a retomada e o fortalecimento da relação entre os dois países. O presidente disse que quer que os Estados Unidos vejam o Brasil como um parceiro importante.
Ainda segundo o presidente brasileiro, há interesse mútuo em ampliar a parceria, sobretudo nas áreas econômica e comercial. Ele afirmou que os EUA teriam dado menos atenção à América Latina nos últimos anos, o que resultou em um avanço da China na região.
Lula afirmou ainda que propôs a criação de um grupo de trabalho bilateral para tratar de impasses comerciais que envolvem tarifas de importação. Segundo ele, uma proposta deve ser apresentada em 30 dias.
O presidente declarou que saiu otimista do encontro e avaliou que há espaço para avanços. Segundo Lula, Trump demonstrou disposição para manter o diálogo, e novas reuniões devem ocorrer.
“Eu saio muito satisfeito da reunião. Acho que foi uma reunião importante para o Brasil e importante para os Estados Unidos.”
Lula afirmou que discutiu com Trump o potencial brasileiro na exploração de terras raras e minerais críticos, considerados estratégicos para a economia global.
Segundo Lula, o Brasil pretende ampliar o conhecimento sobre o próprio território e avançar na exploração desses recursos de forma planejada.
O presidente disse que o país não quer repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima sem agregação de valor.
De acordo com ele, a proposta é desenvolver a cadeia produtiva no Brasil, incluindo etapas de processamento e industrialização.
Lula afirmou que o país está aberto a parcerias internacionais, inclusive com empresas americanas, mas sem preferência por um país específico. Segundo ele, o objetivo é atrair investimentos que contribuam para o desenvolvimento interno.
O presidente declarou que o tema foi tratado como questão de soberania nacional. Ele afirmou que o governo criou mecanismos de coordenação para organizar a agenda e garantir controle sobre os recursos.
“O Brasil estará aberto para construir parcerias. O que nós não queremos é ser meros exportadores dessas coisas”, disse. “Nós queremos que o Brasil seja o grande criador dessa riqueza que a natureza nos deu.”
Lula afirmou que discutiu com Trump conflitos internacionais e apresentou a visão do Brasil sobre guerras em curso. Ele disse ainda que defendeu o diálogo como alternativa a intervenções militares.
Ele também mencionou situações específicas, como Irã e Venezuela, e afirmou que colocou o Brasil à disposição para contribuir com negociações, caso haja interesse.
Lula afirmou ainda que não pretende entrar em embate com o presidente americano por causa de divergências sobre conflitos globais. Ele disse ser “totalmente contra guerras” e declarou que é crítico dos ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Sobre Cuba, Lula afirmou que Trump disse não ter intenção de invadir a ilha, já que Havana tem demonstrado abertura ao diálogo. O presidente brasileiro classificou a declaração como um sinal positivo.
“Trump não vai mudar o jeito dele de ser por causa de uma reunião de três horas comigo”, disse. “Conversar é muito mais barato, mais eficaz. Não tem vítima, não tem destruição de casa, não tem morte de criança.”
Lula afirmou que defendeu, na conversa com Trump, a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da ONU. Segundo ele, a estrutura atual reflete a geopolítica do pós-Segunda Guerra Mundial e não corresponde mais à realidade internacional.
Segundo o presidente, a falta de reformas limita a capacidade de atuação da ONU em conflitos e crises. Ele afirmou que, sem mudanças, a organização perde relevância e tem dificuldade para responder aos desafios atuais.
Ele voltou a defender a ampliação do Conselho de Segurança, com a inclusão de novos membros permanentes. Lula citou Brasil, Japão, Índia e países africanos como candidatos a participar das decisões globais.
“A geopolítica de 2026 não é a geopolítica de 1945. O mundo é outro, a comunicação é outra.”
Lula relatou que o encontro com Trump também teve momentos de descontração. Segundo ele, os dois conversaram sobre a próxima Copa do Mundo.
“Eu falei: espero que você não anule o visto dos jogadores brasileiros, porque nós vamos vir aqui para ganhar a Copa do Mundo. E ele riu, porque agora ele vai rir sempre.”
Lula também comentou o clima da reunião e disse que momentos de descontração ajudam no diálogo entre líderes. Segundo ele, a imagem do encontro também tem peso político e afirmou que ver Trump sorrindo é melhor do que vê-lo “de cara feia”.
O presidente disse ainda que fez questão de criar um ambiente mais leve durante a conversa e avaliou que o bom humor ajudou a tornar a reunião mais tranquila.
Lula afirmou que alguns temas levantados antes da reunião não entraram na pauta do encontro com Trump. Entre eles, a possível classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e o PIX.
De acordo com o presidente, apesar de a questão das facções criminosas não ter sido tratada de forma direta, o Brasil deixou claro que pretende intensificar o combate ao crime organizado e mencionou iniciativas internacionais de cooperação na área.
Lula afirmou ainda que disse a Trump que o Brasil está disposto a ajudar na criação de um grupo de trabalho internacional para combater o crime organizado, reunindo países da América do Sul, da América Latina e, eventualmente, de outras regiões do mundo.
Sobre o PIX, o presidente afirmou que levou para o encontro o ministro da Fazenda, Dario Durigan, com a expectativa de tratar do tema.
“Eu espero que um dia ele ainda vai fazer um PIX, porque muitas empresas americanas já fazem”, disse.
Fonte: G1
1- A cidade de Baía Formosa, onde nasceu o campeão olímpico Italo Ferreira, vai sediar o…
"O Mandaloriano e Grogu" é legal, mas, como um antigo mestre diria: este não é o retorno…
Consumidores de 22 distribuidoras de energia do país terão a conta de luz barateada. A Agência Nacional…
Uma auditoria dos órgãos que fiscalizam a Justiça e o Ministério Público identificou a falta…
A proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16…
No começo dos anos de 1990, um grupo de artistas incomodados com o marasmo cultural…
This website uses cookies.