PROCURA-SE SILVA, VIVO OU MORTO – Flávia Arruda

PROCURA-SE SILVA, VIVO OU MORTO –

Estava sentada de frente para o computador, rabiscando algumas palavras soltas, em busca da crônica desta semana. Os olhos já marejavam devido à claridade da tela do computador; além do mais, o nariz não me dava trégua com a conhecida e velha coriza nasal. Está pensando que vida de alérgica é fácil, minha filha?

Entre um espirro e outro, um esfregão nos cantos dos olhos e abrimento de boca, levantei-me e fui em busca de café fresquinho na copa do setor que trabalho; lá encontrei uma amiga: Michele. Pessoa do meu agrado, daquele bem que queremos de graça.

Entre abraços e desejos de Feliz Ano Novo, algumas conversas foram discorrendo, até que ela me disse:

— Flavinha, nem te conto. Fomos passar o réveillon em Bananeiras-PB, foi maravilhoso!

Percebi que a conversa prometia, cuidei em me escorar na parede e descansar o corpo, voltando a minha atenção para o relato que estava apenas começando. Assim, ela continuou:

— Não sei se tive raiva, viu? — explicou. — Nos preparativos para a viagem, fui ao supermercado e fiz uma feira bem sortida. Chegando em Bananeiras, dei-me conta de que os preços das coisas que havia levado estavam bem menores lá que os preços daqui de Natal. “Tu” acha mesmo?

Ela fez uma cara de indignação, complementando que quase fazia a mesma feira lá em Bananeiras para trazer de volta para Natal, assim aproveitaria para economizar. Dito isto, saltou de lá e disse:

— Menina, conheci um rapaz, bonitão por sinal, em um dos passeios que fizemos, ele é daqui de Natal, professor e poeta — confidenciou-me.

Eu imaginando que estava rolando uma paquera, então ela me disse:

— Quando eu disse que era de Natal e que trabalhava na SEEC, ele logo me indagou: “Ah, então você deve conhecer Flávia Arruda.”

— Sim, eu a conheço, somos amigas — respondeu Michele.

— Eu acompanho o trabalho dela, inclusive coleciono seus textos; tudo que ela publica, eu guardo — relatou minha amiga cheia de orgulho.

A essa altura do campeonato eu já estava feliz por ter me escorado na parede, pois, juro, que teria caído “tesinha” no chão, tamanha foi a minha surpresa ao ouvir que alguém me lê, gosta do que lê e ainda guarda minhas publicações. Seria ele uma espécie a ser estudada?

A pergunta que não me quer calar:

— Quem é esse cara?

Segundo soube, seu nome é Silva, só o que sei, além de saber que me lê e guarda meus escritos. Agora, a sorte foi que Michele o convidou para nos visitar na SEEC e, assim, ter a oportunidade de me conhecer pessoalmente. (“Pia, tô podendo!”)

Bom, se Silva realmente me lê, estará lendo esta crônica com o cartaz de “PROCURA-SE SILVA…” (o “vivo ou morto” foi só para tirar onda). Quanto à recompensa, esta será para o próprio procurado — de preferência vivo: um café com direito a livro autografado e bom papo; tudo isso regado a uma satisfação inenarrável de minha parte, lógico que por saber que meus escritos estão sendo bem guardados e bem “gostados”.

Por fim, peço encarecidamente que, quem souber do seu paradeiro, favor informá-lo que ando em sua busca, antes que o café esfrie e o livro amarele suas páginas; afinal, o tempo urge!

 

 

 

 

Flávia Arruda – Pedagoga e escritora, autora do livro As esquinas da minha existência, flaviarruda71@gmail.com

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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