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PF abre inquérito para investigar BRB por suspeitas de gestão fraudulenta

Operações bilionárias entre BRB e Master estão sendo investigadas — Foto: Reuters via BBC

A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para investigar eventual gestão fraudulenta no Banco de Brasília (BRB), instituição financeira ligada ao governo do Distrito Federal que fez uma proposta de compra do Banco Master, em março do ano passado.

A informação foi divulgada pela colunista Miriam Leitão, do jornal “O Globo”, e confirmada pelo blog.

O BRB permanece estável financeiramente, e afirmou, em nota divulgada ainda em janeiro, que o governo do Distrito Federal já sinalizou que pode fazer um “aporte direto” no banco para cobrir os possíveis prejuízos gerados por transações questionáveis com o Banco Master.

O banco estatal controlado pelo governo do DF gastou R$ 12 bilhões para comprar carteiras de crédito que não pertenciam ao Master e não tinham garantias. O prejuízo para o BRB pode chegar a R$ 5 bilhões.

Tentativa de compra

➡️Ao longo de 2025, o BRB tentou comprar boa parte do Master, uma operação que contou com grande apoio do governo do DF, acionista controlador do banco público, mas foi barrada pelo Banco Central.

➡️Além da tentativa de compra, a Polícia Federal apura se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master. O foco é entender se houve falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança das operações.

➡️Em novembro, uma operação da PF e do Ministério Público afastou do cargo o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa – demitido em definitivo em seguida.

Nas últimas semanas, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, afirmou à TV Globo que se reuniu pelo menos quatro vezes, entre 2024 e 2025, com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro – mas negou que tenha discutido a compra do Master pelo BRB nesses encontros.

Fraudes com CDBs

Segundo as apurações da Polícia Federal e do Banco Central, o Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em certificados de depósito bancário (CDBs) prometendo juros acima das taxas de mercado e sem comprovar que tinha liquidez, ou seja, que conseguiria pagar esses títulos no futuro.

Ao comprar um CDB, o cliente empresta o dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Para reforçar essa impressão de liquidez, o Master aplicou parte desses R$ 50 bilhões em ativos que não existem, comprando créditos de uma empresa chamada Tirreno.

O Master não pagou nada por essa compra, mas logo em seguida vendeu esses mesmos créditos ao BRB — que pagou R$ 12,2 bilhões, sem documentação, para “socorrer” o caixa do Banco Master.

Essas transações aconteceram no mesmo período em que o BRB tentava comprar o próprio Banco Master — e convencer os órgãos de fiscalização de que a transação era viável e não geraria risco aos acionistas do BRB, incluindo o governo do DF.

 

Além disso, o Master era conhecido por comprar precatórios e investir em empresas em dificuldade.

Para evitar a quebra, foram realizadas tentativas de venda do banco, o que inclui uma proposta do BRB. Todas acabaram canceladas, envoltas em questionamentos, pressões políticas e falta de transparência.

O Banco Master foi liquidado em novembro pelo Banco Central após identificação do alto custo de captação e da exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.

Fonte: G1

Ponto de Vista

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