O FRUTO EXISTE –
Em conversa descontraída em uma mesa de cafezinho, o assunto sempre surge: futebol, bom e palpitante, e o melhor é gosto!
Aproveito e questiono: como anda o nosso futebol?
Responde o amigo, tentando esfriar o café, com movimentos circulares com sua pequena xícara na mão: tem apresentado bons resultados, há vibrações e muita empolgação com as torcidas em torno dos últimos acontecimentos. O ABC FC, em disputa ferrenha na série C, com chances bem otimistas para chegar à série B. Já o América fez a sua bela e vitoriosa festa na Arena das Dunas, vencendo de virada o time do Caxias do Sul/RS, saindo da decepcionante série D (de desesperados). Parabéns, Mecão! Avante, ABC!
Não sei se por puro saudosismo e sem querer, de forma alguma, tirar o brilho e o entusiasmo dos torcedores e
dirigentes atuais, sou puxado pela memória passada, para os velhos tempos da década de 1950. Sabia de cor e salteada toda a formação dos times titulares, dos aspirantes e os nomes dos seus treinadores. Vivia intensamente e vibrava com o futebol potiguar.
O tempo avançou. O futebol sofreu muitas mudanças. Desapareceram os campos de várzeas, fonte maior do garimpo de futuros craques; os acirrados embates de bairros foram desaparecendo; os “meninos revelações” foram escasseando. Perdemos as nossas boas promessas. Os times locais passaram a importar jogadores de outras localidades.
A nossa identidade “jerimunense” foi pelo ralo. Contamos hoje com raríssimos jogadores “papa-jerimuns” defendendo as nossas principais cores. Nada contra os jogadores de fora, só que sentimos muita falta dos nossos.
Em épocas passadas, tivemos exemplos bem marcantes, em que os jogadores surgiam das equipes chamadas de “aspirantes” e, também, boa parte das equipes das categorias de juvenis; contávamos, ainda, com uma farta safra vinda do interior do Estado, como: Mossoró, Areia Branca, Macau, Parnamirim e outros municípios.
Éramos agraciados com a uma excelente competição interiorana: o Matutão, evento esportivo de grande vulto, criado pelo nosso grande esportista, colunista esportivo e amigo pessoal, Everaldo Lopes, já falecido, e pelo meu companheiro, campeoníssimo na equipe no Alecrim FC, na década de 1960, o “baixinho” Ilo.
Chegamos, em épocas passadas, a exportar craques que chegaram à Seleção Brasileira, como Marinho Chagas, considerado o maior lateral esquerdo do mundo, durante a Copa de 1974; do meia Souza, oriundo do singelo time de Itajá/RN, convocado onze vezes para compor a Seleção Brasileira, entre os anos de 1995 e 1996; de Reinaldo, de Parnamirim, que chegou a fazer parte do elenco do Flamengo, campeão interclube do Mundo; de Djalma, macaibense, ídolo como quarto zagueiro do timão,– o Corinthians paulista; de Dequinha, de Mossoró, tricampeão pelo Flamengo e do elenco da Seleção Brasileira de 1954; de Nonato, craque na lateral esquerda da equipe vitoriosa do Cruzeiro, de Belo Horizonte e muitos outros.
Hoje, tudo mudou, perdemos o caminho, perdemos a nossa fonte maior de captar novos talentos. O que vimos e
assistimos hoje são os nossos principais clubes importando times inteiros de outros Estados, sacrificando suas finanças e, muitos dos jogadores contratados, não dizem para que vieram.
Na verdade, estamos precisando voltar a realizar nossas “peneiras”, criando torneios interioranos para atrair bons valores existentes e “intocados” e dar-lhes oportunidades de ingressar e formar nossas fortes equipes genuinamente potiguares.
Todo bom futebol passa por uma base sólida, bem estruturada, confiável e bem aproveitada. Temos tudo isso,
resta-nos tão somente correr atrás e pôr em prática.
O fruto existe, é só molhar a raiz.
Berilo de Castro – Médico e Escritor, berilodecastro@hotmail.com.br
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