O BOBO DA CORTE –
Bobo da Corte, Bufão ou Bufo era o nome que se dava a um “funcionário” contratado pela monarquia, com a finalidade  de  divertir  o rei, a rainha e seu séquito. Fazia as vezes de palhaço, mas era o único “funcionário” que podia  fazer críticas  irônicas ao rei, sem correr o risco de ser degolado. Também participava dos banquetes do reino.

Os bobos da corte surgiram na Antiguidade, com os primeiros registros no Egito Antigo, na China e no Império Bizantino. Eles atuavam como artistas e conselheiros que usavam o humor e a sátira para entreter os monarcas e apontar verdades inconvenientes. O costume se popularizou na Europa durante a Idade Média e a Renascença.

A figura clássica do bobo da corte — com roupas coloridas, chapéus de guizos e habilidades cênicas — consolidou-se na Europa Ocidental a partir da Baixa Idade Média e durante a Idade Moderna (séculos XII a XVII). No entanto, as origens dessa prática remontam a milênios atrás.

Historicamente, os bufões dividiam-se em dois tipos principais:

Naturais: Pessoas que possuíam deficiências físicas, intelectuais ou nanismo, ou artistas profissionais, treinados para exercer a função de bobo.

O Bobo da Corte era escolhido entre os melhores comediantes da época, a Idade Média. Esse plebeu, pago para divertir a nobreza e a realeza, era um homem são, física e mentalmente, não fazendo parte do time de anões nem corcundas, adotados pelas cortes, como circo particular.

O Bobo da Corte, de bobo só tinha o nome. Na verdade, era sempre um grande artista. Dominava a arte do palhaço, mas possuía outras habilidades. Sempre tocava algum instrumento, dançava, cantava e versejava. Fazia malabarismos e mímicas. Com o seu talento, sabia entreter o reino.

Principalmente, nos séculos XIV e XV, o Bobo fazia parte do grupo de artistas sustentado pelas Cortes, junto com pintores, músicos e poetas.

O gênio do teatro inglês, William Shakespeare (1564 – 1616), deu destaque à figura dos bobos, dando a eles papeis de grande importância em sua obra. Nas suas peças “Rei Lear” e  “A Noite de Reis”, definiu a posição do Bobo junto aos poderosos, dando-lhes papeis de grande importância e destaque.

O bobo, nessas peças, era o personagem que se sobressaía pela esperteza e inteligência. Podia fazer críticas aos próprios reis, com comentários picantes, mas com os quais o público ia às gargalhadas.

Nosso País está cheio de figuras caricatas, verdadeiros bobos da corte, com a diferença de que agem com maldade, cinismo, instinto de perseguição e de destruição dos seus semelhantes.
Violante Pimentel – Escritora
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