NOITE DE NATAL –

Tradicionalmente, a Noite de Natal é sagrada para todos os lares.  Noite de encanto e mistério para as crianças e de ternura e carinho para os adultos. Isso, para as famílias que tem boas condições financeiras. Para os pobres, é mais uma noite, onde as diferenças sociais  são gritantes.
No silêncio da Noite mágica do Natal, as crianças sonham com Papai Noel, sorrindo para elas e lhes entregando os mais bonitos e engraçados brinquedos. Antes de se deitarem, mais cedo do que de costume, elas não esquecem de colocar os seus sapatos perto das suas caminhas, pensando na surpresa da manhã seguinte.
Antônio tinha oito anos. Na manhã do dia de Natal, levantou-se da cama muito cedo, para ver se o Menino Jesus, disfarçado de Papai Noel, dessa vez tinha posto algum presente no seu sapato. Já estava cansado de desilusão, e quase convencido de que o velho, vestido de vermelho e de barbas brancas, não dava presente a menino pobre.

Para desapontamento  de Antônio, no seu sapato estavam duas moedas  de 1 real. E perguntou a si mesmo, por que o Menino Jesus fizera isso com ele?!!! Sabia que os seus  conhecidos sempre ganhavam lindos presentes!!!
Na mesma hora,  veio à cabeça de Antônio  a ideia de que teria sido o seu pai que pusera as duas moedas no seu sapato, para que ele deixasse de acreditar em Papai Noel. Antônio nem tocou nas moedas. Achou o presente repugnante.

A partir de então, passou a detestar Papai Noel.  Na sua cabeça, o Menino Jesus, tão amigo das crianças, mais uma vez tinha se esquecido dele.

O pai alcançou o seu intento, na hora em que acabou com a ilusão de uma criança de oito anos, seu próprio filho.

O menino  chorou muito e sofreu como um adulto, ao ver seu sonho desfeito. Viu, pela primeira vez,  entrar na sua alma o veneno da dúvida  e a mágoa do pai. Ficou revoltado para o resto da vida.
A lenda do Papai Noel reveste-se de vários aspectos e é comemorada de forma diferente pelas famílias do mundo inteiro. Em muitos países, há o hábito de se armar a árvore de Natal. Há regiões, em que todas as famílias, sejam ricas ou pobres, arranjam o seu ramo de pinheiro e o enfeitam de brinquedos e luzes.
Escritores e poetas contam belas histórias sobre a origem desse costume. Falam da Rosa de Jericó, que, na noite de Natal, abriu-se debaixo dos pés da Virgem Maria, e das árvores que se vestiram de linda folhagem e deliciosos frutos, cobrindo de alegria a festa do Natal, que é essencialmente familiar.

 

 

Violante Pimentel – Escritora

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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