MURILO MELO FILHO, DE DATILÓGRAFO A MEMBRO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS –
Partiu nesta quarta-feira, aos 91 anos de idade (Natal, 13 de outubro de 1928 – Rio de Janeiro, 27 de maio de 2020), o escritor, jornalista, advogado e acadêmico Murilo Melo Filho. Murilo, o mais velho dos sete filhos de Murilo Melo, radiotelegrafista, e dona Hermínia, foi para o Rio de Janeiro aos dezoito anos de idade. Começou como datilógrafo e foi repórter dos principais jornais da então Capital Federal, tendo convivido com famosos jornalistas da época. Na Tribuna da Imprensa, com Carlos Lacerda; no Jornal do Commercio, com Elmano Cardim, Santiago Dantas e Assis Chateaubriand; no Estado de São Paulo, com Júlio Mesquita Filho e Prudente de Morais Neto.
Casado com dona Norma, tem três filhos, Nelson, Fátima e Sergio, que é oficial da reserva do CPOR. Recebeu as medalhas de Tamandaré, de Santos Dumont, das ordens do Mérito Naval, Aeronáutico, de Miguel de Cervantes e do Rio Branco, concedida pelo Itamaraty.
Em meados da década de quarenta, recém terminada a Segunda Grande Guerra Mundial, Murilo deparou com situações conflitantes: o deslumbramento diante da beleza do Rio de Janeiro, convivendo com a nata da intelectualidade, e o desafio de vencer o preconceito, que ainda hoje existe, com o nordestino audacioso. Encontra um terreno fértil para o jornalismo, a atividade que escolhera: a deposição de Getúlio Dornelles Vargas, a posse de Eurico Gaspar Dutra, a viagem para a Europa, num cargueiro grego, em companhia de Dom Avelar Brandão, Dom José Tavares e Dom Hélder Câmara, para assistir ao Congresso Eucarístico em 1950.
Estudou na Pontifícia Universidade Católica e na Universidade do Rio de Janeiro, pela qual se formou e chegou a advogar durante sete anos. Costumava dizer que quem se forma em Direito pode até advogar.
Como repórter free-lancer, entrou para a Revista Manchete, criando a seção Posto de Escuta, que escreveu durante quarenta anos. Nessa mesma época dirigiu e apresentou, na TV-Rio, o programa político Congresso em Revista, que ficou no ar ininterruptamente durante sete anos, sendo a princípio produzido e apresentado no Rio e, depois, em Brasília.
Em seu livro “Tempo diferente” faz minibiografias que é um verdadeiro passeio pela política e pela literatura brasileira: Alceu de Amoroso Lima, Assis Chateaubriand, Augusto Frederico Schimdt, Austregésilo de Athayde, Café Filho, Carlos Drummond de Andrade, Carlos Lacerda, Carlos Castello Branco, Celso Furtado, Evandro Lins e Silva, Getúlio Vargas, Guimarães Rosa, Jânio Quadros, Jorge Amado, José Lins do Rego, Juscelino Kubitschek de Oliveira, Otto Lara Resende, Rachel de Queiroz, Raymundo Faoro e Roberto Marinho.
Em missões jornalísticas, sempre acompanhou os ex-presidentes Café Filho e Juscelino Kubitschek a Portugal; Jânio Quadros a Cuba; João Goulart aos Estados Unidos, México e Chile; Ernesto Geisel à Inglaterra e à França e José Sarney a Portugal e aos Estados Unidos.
Cobriu a guerra do Vietnã, com o fotógrafo Gervásio Baptista em 1967 e foi o primeiro jornalista brasileiro a cobrir a guerra do Camboja, com o fotógrafo Antonio Rudge, em 1973, tendo chegado a Saigon e Phnom-Penh, via Tóquio.
Com Carlos Lacerda, David Nasser, Edmar Morel, Francisco de Assis Barbosa, João Martins, Joel Silveira, Justino Martins, Otto Lara Resende e Samuel Wainer, escreveu o livro Reportagens que Abalaram o Brasil.
A rica biografia de Murilo culminou com a sua eleição para a Academia Brasileira de Letras em 1999, onde era o sexto ocupante da cadeira número vinte, que tem como patrono Joaquim Manoel de Macedo. Sucedeu a Aurélio de Lyra Tavares. Foi eleito unanimemente para membro titular da Academia Norte-rio-grandense de Letras, onde ocupava a cadeira número dezenove, que tem como patrono Ferreira Itajubá e fundador Clementino Câmara. Sucedeu a Nilo Pereira.
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